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'O que está sendo revelado hoje sobre Labogen impediria contrato', diz Padilha

Gustavo Porto - Agência Estado

02 Maio 2014 | 12h 50

Ex-ministro petista afirma que termo de parceria firmado pelo Ministério da Saúde com laboratório suspeito passou por 'profunda avaliação técnica', mas que não houve acerto final

RIBEIRÃO PRETO - O ex-ministro da Saúde, Alexandre Padilha, provável candidato do PT ao governo paulista, afirmou, nesta sexta-feira, 2, que o termo para uma possível Parceria de Desenvolvimento Produtivo (PDP) com o Labogen, assinado por ele, foi recebido pela Pasta após uma "profunda avaliação técnica". Para Padilha, o termo de compromisso veio do laboratório da Marinha e passaria ainda por uma série de filtros antes da assinatura de um possível contrato.

"Entre receber o termo e o possível contrato, uma série de filtros de avaliação seria feita. Tudo que está sendo revelado hoje sobre o laboratório impediria qualquer tipo de contrato", afirmou ele, durante visita à Agrishow, que termina nesta sexta-feira.

Padilha repetiu ainda a frase dita em sua primeira entrevista após a revelação de que o ex-assessor do Ministério da Saúde, Marcus Cezar Ferreira seria a ponte com o laboratório do doleiro Alberto Youssef, preso por suspeita de utilizar a empresa para lavagem de dinheiro. "Mente quem diz que tem ou teria contrato do Ministério com o Labogen", disse Padilha.

Reportagem publicada nesta sexta-feira pelo jornal O Globo também mostra que Padilha assinou, como testemunha, compromisso firmado pelo Ministério da Saúde com três empresas para fabricação do medicamento citrato de sildenafila. O Labogen fazia parte de parceria entre empresas para desenvolvimento do insumo, que contava também com a indústria farmacêutica EMS e o Laboratório Farmacêutico da Marinha. A assinatura do termo teria ocorrido mesmo após alertas feitos por técnicos do ministério de que o Labogen não possuía todos os documentos necessários para fabricação da substância.

Em interceptações telefônicas feitas pela Polícia Federal, o deputado licenciado André Vargas (PR), que se desfiliou do PT na semana passada, também diz ao doleiro Alberto Youssef, preso na Operação Lava Jato, que Padilha indicou Marcus Cezar Ferreira, que prestou serviços ao Ministério da Saúde, para cargo no Labogen - empresa que a PF suspeita ser de fachada e de propriedade do doleiro.

Metrô. Padilha também aproveitou para atacar os adversários, especialmente o PSDB. Ele afirmou, que o PSDB "vai perder de novo" se continuar a minar as candidaturas petistas como a dele e a da presidente da República, Dilma Rousseff, por meio de denúncias. "Se PSDB quiser ficar batendo nessa tecla, vai perder de novo", disse e repetiu Padilha após ser indagado se as investigações envolvendo o laboratório Labogen e o Ministério da Saúde, bem como as que serão iniciadas no Congresso para a Petrobrás, teriam impacto eleitoral.

Ele argumentou que as investigações de denúncias no governo federal sempre começaram pelo próprio governo, ao contrário, por exemplo, do escândalo do Metrô, no Estado de São Paulo, cujas apurações foram iniciadas por autoridades internacionais e pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). "No governo do Estado de São Paulo tem um escândalo de roubo no metrô há 15 anos e as investigações só começaram por autoridades internacionais e pelo Cade", disse. "Nesses casos, existe uma diferença crucial entre nós e o PSDB; no âmbito do governo federal a apuração começa no governo federal e, no caso do Metrô, além de não investigarem, secretários investigados são mantidos até hoje", disse Padilha, sem citar nomes.

Padilha visitou a Agrishow acompanhado, entre outros, do empresário Maurílio Biagi Filho, presidente da feira, que desistiu de ser candidato a vice-governador do ex-ministro. Padilha minimizou a decisão de Biagi e disse que entendia, como médico, as questões de saúde alegadas pelo empresário para sair da disputa.

O ex-ministro brincou ainda sobre uma possível candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao Palácio do Planalto este ano. "Eu quero Dilma presidente e Lulinha solto aqui em São Paulo para ser meu cabo eleitoral número 1", concluiu.