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O panorama nas campanhas mais caras

O panorama nas campanhas mais caras

Nas noves cidades com maior arredacação de recursos, candidatos já movimentaram R$ 72 milhões; 52% desse montante veio de partidos

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Daniel Bramatti e Rodrigo Burgarelli ,
O Estado de S. Paulo

18 Setembro 2016 | 05h00

Em São Paulo, disputa acirrada

Na semana que passou, quatro candidatos à Prefeitura de São Paulo se revezaram na liderança do ranking de arrecadação de recursos: João Doria (PSDB), Celso Russomanno (PRB), Marta Suplicy (PMDB) e Fernando Haddad (PT) – este último pulou à frente na noite de sexta-feira, quando foram computadas contribuições recebidas 24 horas antes.

Dos recursos de Haddad, 57% vieram de pessoas físicas e 43% do PT. Já Russomanno é quase totalmente dependente de seu partido – recebeu R$ 3,57 milhões do PRB, 96% do total que arrecadou. O dinheiro, nesse caso, teve origem no Fundo Partidário, que é alimentado por recursos públicos.

Da receita de Marta, 77% vieram de eleitores e 23% do PMDB. Parte significativa do dinheiro de Doria veio de seu próprio bolso: R$ 1,6 milhão (49% do total) são recursos próprios, e R$ 1,5 milhão (46%), do PSDB.

Os quatro principais candidatos concentram 96% de todo o dinheiro que circula na campanha paulistana.

 

Rio tem líder de ranking nacional

O candidato do PMDB à prefeitura do Rio, Pedro Paulo, já arrecadou para sua campanha mais do que todos os adversários somados. Com R$ 7,5 milhões em recursos recebidos, ele é o líder nacional no ranking de receitas, até o momento.

Na sexta-feira, o Rio chegou a figurar como a cidade com a campanha mais cara em todo o País, mas São Paulo retomou o posto no fim da noite.

Apesar dos cofres cheios, Pedro Paulo patina nas pesquisas – teve 9% no Ibope mais recente. O peemedebista está empatado em segundo lugar com Marcelo Freixo, do PSOL, que arrecadou 93% a menos do que o peemedebista (R$ 496 mil).

O líder nas pesquisas, com 31% das intenções de voto, é Marcelo Crivella, uma das duas grandes apostas do PRB nas eleições municipais deste ano, juntamente com o deputado Celso Russomanno, que disputa a Prefeitura de São Paulo.

Bispo da Igreja Universal, Crivella recebeu de seu partido R$ 2,9 milhões, 99% de tudo o que arrecadou.

 

Fortaleza: uma família, R$ 1,5 milhão

Na semana passada, o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) classificou como “milionária” a campanha de um adversário político, o prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio (PDT), que concorre à reeleição. Uma curiosidade: das doações recebidas pelo pedetista, R$ 1,5 milhão veio de integrantes da família Jereissati, uma das mais poderosas do Ceará.

A contribuições dos Jereissati representam mais de um quarto do total arrecadado por Roberto Cláudio até ontem (R$ 5,7 milhões). Líder nas pesquisas eleitorais (teve 34% das intenções de voto no Ibope mais recente), o candidato do PDT é também o cabeça do ranking da arrecadação na cidade. Sua receita é maior que a de todos os adversários somados.

Capitão Wagner (PR), 2.º colocado no ranking e nas pesquisas, arrecadou R$ 2 milhões, 64% a menos do que o líder. A seguir aparece a ex-prefeita Luizianne Lins (PT), com R$ 760 mil. Os dois receberam, respectivamente, 88% e 99% de suas doações dos próprios partidos.

 

Belo Horizonte: 1º nas pesquisas, 5º em receitas

Líder na mais recente pesquisa Ibope sobre a sucessão em Belo Horizonte, o deputado estadual João Leite (PSDB) aparece apenas no quinto lugar no ranking da arrecadação de recursos na cidade. A maior parte de sua receita (72%) veio do próprio partido.

Vice-líder no Ibope, Alexandre Kalil (PHS) também arrecadou pouco: está em sétimo no ranking.

O candidato com mais recursos até o momento é Rodrigo Pacheco, do PMDB, que usou recursos próprios para bancar dois terços das despesas até agora – a parcela restante veio de doações de pessoas físicas. O peemedebista doou à própria campanha cerca de R$ 1,67 milhão.

Segundo colocado no ranking de Belo Horizonte, Luís Tibé é o único candidato do nanico PTdoB que aparece bem posicionado entre os que mais receberam recursos em todo o País. É também a grande aposta do partido, que destinou quase R$ 1,5 milhão para a campanha, mais de 99% de todo o dinheiro de Tibé.

 

No Recife, PSB banca prefeito

A totalidade da arrecadação de Geraldo Julio, candidato à prefeitura do Recife, veio de seu partido, o PSB. Os repasses do partido somavam R$ 2,1 milhões até ontem, o suficiente para garantir a Julio – que concorre à reeleição – a liderança no ranking da arrecadação.

Julio é um dos herdeiros do espólio político do ex-governador Eduardo Campos, que morreu em um acidente de avião em 2014, quando fazia campanha como candidato à Presidência na chapa de Marina Silva.

Os adversários do atual prefeito também são altamente dependentes das contribuições de seus próprios partidos. O segundo colocado no ranking, Daniel Coelho, recebeu R$ 1,7 milhão do PSDB, 89% de tudo o que já arrecadou.

O petista João Paulo, que já foi prefeito da capital pernambucana, recebeu da legenda 97% dos recursos contabilizados até ontem pela campanha.

Juntos, esses três principais candidatos arrecadaram 77% de todo o dinheiro que circula na campanha pela prefeitura.

 

Em Salvador, a aposta do DEM

A campanha pela prefeitura de Salvador é uma das mais desiguais de todo o País, em termos de arrecadação de recursos. O atual prefeito e candidato à reeleição, Antonio Carlos Magalhães Neto (DEM), contabilizava até ontem R$ 5 milhões, nada menos do que 82% de todo o dinheiro que circula nas campanhas dos candidatos a prefeito na cidade.

ACM Neto é a principal aposta do DEM nas eleições municipais. O partido destinou para sua campanha R$ 3,5 milhões, 70% de tudo o que o candidato arrecadou.

O atual prefeito é também o líder disparado nas pesquisas. O levantamento do Ibope mais recente, feito no início deste mês, atribuiu a ele 68% das intenções de voto.

Segunda colocada nas pesquisas e no ranking de arrecadação, Alice Portugal (PCdoB) recebeu até ontem R$ 595 mil, 88% a menos do que o principal adversário. Diferentemente de ACM Neto, a candidata recebeu a maior parte de suas contribuições (74%) de pessoas físicas.

 

Bolsos abertos em Guarulhos

Guarulhos, na Grande São Paulo, é a sétima – e a primeira não capital – no ranking das cidades com as campanhas mais ricas do País, em volume arrecadado pelo conjunto dos candidatos a prefeito.

A campanha municipal é marcada por um duelo de candidatos dispostos a financiar as próprias campanhas, com volumes significativos.

O tucano Carlos Roberto já desembolsou, em recursos próprios, R$ 1,09 milhão, o que equivale a 96% do total arrecadado por sua campanha.

Já Fausto Martello, do PSD, destinou R$ 1 milhão de seu patrimônio para bancar as próprias despesas eleitorais. O dinheiro representa quase 100% de sua arrecadação – apenas R$ 2,9 mil vieram do partido.

Jorge Wilson, do PRB, vive uma situação bem distinta: 100% de seus custos são bancados pelo partido, que repassou para a campanha R$ 900 mil até ontem. O ex-prefeito Eloi Pietá, candidato pelo PT, é o quinto colocado no ranking da arrecadação.

 

Em Betim, milionário dispensa ajuda

O empresário Vittorio Medioli, do nanico PHS, já deu mostras de que não economizará recursos na tentativa de conquistar a prefeitura de Betim, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Até ontem, Medioli havia desembolsado nada menos do que R$ 3 milhões para financiar a própria campanha. Nenhum centavo havia sido contabilizado de contribuições de pessoas físicas ou repasses do partido.

Com patrimônio declarado de R$ 352,6 milhões, Medioli é o segundo candidato mais rico do País, segundo os registros do Tribunal Superior Eleitoral.

Sozinho, o empresário é responsável por R$ 3 de cada R$ 4 que circulam nas campanhas dos candidatos a prefeito de Betim. Ivair Nogueira, do PMDB, é o segundo colocado entre os que mais arrecadaram.

Betim é a segunda maior economia de Minas Gerais, sede de empresas como a Refinaria Gabriel Passos e a Fiat Automóveis. Apesar de ser uma das cidades mais ricas do Estado, está também entre as mais favelizadas.

 

Em Curitiba, terreno vira autodoação

Dos candidatos à prefeitura de Curitiba, Rafael Greca (PMN) é o que mais arrecadou recursos até o momento. A posição se deve, em grande parte, a uma doação de R$ 600 mil do candidato à própria campanha.

Segundo a assessoria de imprensa do candidato, os recursos foram resultado de uma negociação em imóvel da família. “Ele fez uma doação de R$ 600 mil de forma espontânea porque vendeu um terreno declarado, adquirido há mais de 20 anos”, informou a assessoria.

O segundo colocado no ranking das receitas é Gustavo Fruet (PDT), atual prefeito e candidato à reeleição. Ele também fez uso de recursos próprios, mas em volume bem menor: R$ 53,5 mil.

 

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