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'Nunca cometi impropriedades', diz Renan sobre delação de Delcídio citando seu nome

'Não há nenhuma prova e não haverá nenhuma prova. Estou à disposição para colaborar com qualquer investigação', afirmou o presidente do Senado ao comentar sobre a delação do petista

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Ricardo Brito,
O Estado de S. Paulo

09 Março 2016 | 14h30

Brasília - O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), afirmou nesta quarta-feira, 9, que não se preocupa com a delação premiada feita pelo senador Delcídio Amaral (PT-MS). Conforme reportagens publicadas nesta quarta pela imprensa, o peemedebista seria um dos citados pelo petista na colaboração premiada que fez com investigadores da Operação Lava Jato e que ainda não foi homologada pelo Supremo Tribunal Federal.

"Sinceramente não vi (as reportagens) e não tenho preocupação. Nunca cometi impropriedades, tudo que disseram até aqui foi por 'ouvi dizer'. Não há nenhuma prova e não haverá nenhuma prova. Estou à disposição para colaborar com qualquer investigação", disse Renan, na chegada a seu gabinete.

O presidente do Senado disse que nenhum homem público é imune a investigação. "Sou responsável pelos meus atos. Não tenho preocupação com o que A, B, C ou D dizem, interpretam, ouviram dizer nos corredores ou no mercado. O papel de cada um é se defender, é o que estou fazendo", disse, num recado ao petista. 

Senadores. Em delação premiada, o ex-líder do governo no Senado Delcídio Amaral (PT-MS) citou não apenas os nomes da presidente Dilma Rousseff e do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas também de colegas da Casa. A cúpula do PMDB no Senado e o presidente do PSDB, senador Aécio Neves (MG), foram citados por Delcídio, segundo fontes com acesso às investigações da Operação Lava Jato.

A delação do petista é mantida sob sigilo na Procuradoria-Geral da República e no Supremo Tribunal Federal, onde os termos do acordo devem ser homologados pelo ministro Teori Zavascki nos próximos dias. 

Não há informações se Delcídio, ao fazer a menção aos senadores, indicou a eventual prática de crimes pelos colegas. A PGR deve analisar a menção de cada um dos nomes, como praxe a partir dos acordos de delação premiada, e avaliar se há indícios que fundamentem um pedido de abertura de inquérito ou não.

A cúpula peemedebista no Senado citada por Delcídio já é alvo de investigações da Operação Lava Jato. Renan é investigado em ao menos seis inquéritos abertos contra ele perante o Supremo Tribunal Federal por suposta participação no esquema de corrupção na Petrobrás. Também estão na mira da Lava Jato os senadores Edison Lobão (MA), Romero Jucá (RR), Valdir Raupp (RO) e Jader Barbalho (PA).

Renan e Jader, inclusive, já são alvo de inquérito mantido sob sigilo na Corte ao lado de Delcidio. A investigação foi aberta no final do ano passado, portanto antes do petista celebrar o acordo de colaboração premiada. 

 

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