Ed Ferreira/Estadão
Ed Ferreira/Estadão

Núcleo do esquema, PT tem 20 nomes na lista

Fachin aponta governador do Acre, 4 senadores e ex-ministros de Dilma e de Lula

Breno Pires e Ricardo Brandt, O Estado de S.Paulo

12 Abril 2017 | 05h00

Acusado de ser o partido líder do núcleo político do esquema de corrupção e cartel na Petrobrás, o PT tem 20 nomes incluídos na lista de Fachin, que teve o sigilo liberado pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Nela, estão o governador do Acre, Tião Viana, três ex-ministros dos governos Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, quatro senadores e 13 deputados e ex-deputados.

São 76 inquéritos abertos por decisão do ministro Edson Fachin, relator da Operação Lava Jato no STF, com base na megadelação premiada dos 78 executivos e ex-executivos da Odebrecht. O conteúdo das revelações confirma as investigações da força-tarefa da Lava Jato, em Curitiba, que desde 2014 aponta a existência de um megaesquema de cartel, entre as maiores empreiteiras do País – Odebrecht, OAS, Andrade Gutierrez, Camargo Corrêa, entre outras – e partidos base de sustentação dos governos Lula e Dilma, em especial PT, PMDB e PP, para arrecadar propinas em contratos da Petrobrás. O dinheiro teria sido usado para financiar as legendas e suas campanhas entre 2004 e 2014.

No Senado, estão na mira da Lava Jato os senadores Humberto Costa (PT-PE), Jorge Viana (PT-AC), Lindbergh Farias (PT-RJ) e Paulo Rocha (PT-PA). Os deputados com mandato investigados são: Marco Maia (PT-RS), Carlos Zarattini (PT-SP), Décio Lima (PT-SC), Nelson Pellegrino (PT-BA), Maria do Rosário (PT-RS), Vander Loubet (PT-MS), Vicente Paula da Silva, o Vicentinho (PT-SP), Vicente Cândido (PT-SP), Arlindo Chinaglia (PT-SP), Zeca do PT (PT-MS) e Zeca Dirceu (PT-PR). O ex-deputado petista Cândido Vaccarezza hoje está no PTdoB. 

Segundo os delatores, os ex-ministro Antonio Palocci e Guido Mantega foram os principais interlocutores da Odebrecht com as propinas e o caixa 2 pagos ao PT e suas campanhas eleitorais. Os dois estão identificados nas planilhas do grupo como “Italiano” e “Pós-Itália”.

Governador. O governador do Acre, Tião Viana, e o irmão dele, senador Jorge Viana, receberam R$ 2 milhões para a campanha de 2010 ao governo estadual. Desse total, R$ 1,5 milhão foi pago via caixa 2. O registro consta da planilha do Setor de Operações Estruturadas na conta corrente “Italiano” – que seria a referência a Palocci, que tratava dos valores para campanha presidencial do PT – como valores a serem pagos ao “Menino da Floresta”. Segundo a lista de Fachin, “os colaboradores relatam a ocorrência de pagamento de vantagem, a pedido do senador da República Jorge Viana, no contexto de campanha eleitoral de seu irmão, Tião Viana, ao governo do Acre, no ano de 2010”. 

Senador. O senador Lindbergh Farias, candidato à presidência do PT, também é alvo de um inquérito. A apuração investiga repasse de R$ 4,5 milhões em propinas para as campanhas de 2008 e 2010. O petista, segundo dois delatores da Odebrecht, é identificado nas planilhas como “Lindinho” e “Feio”. 

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