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Janete Longo|AE

Novo líder da oposição na Câmara diz que apoiará reformas estruturantes se PT também apoiar

Para Miguel Haddad, mudanças, como a da Previdência, são importantes e precisam ser aprovadas

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Igor Gadelha,
O Estado de S.Paulo

11 Fevereiro 2016 | 11h15

BRASÍLIA - O novo líder da minoria na Câmara, deputado Miguel Haddad (PSDB-SP), afirmou que vai defender o apoio da oposição a algumas das reformas estruturantes propostas pelo governo, como a da Previdência Social, desde que o PT deixe claro que também apoiará as mudanças.

Próximo do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), Haddad assumirá a liderança da minoria na Câmara - ou seja, da oposição - na próxima semana. Ele foi indicado pelo líder do PSDB na Casa, Antonio Imbassahy (BA), e substituirá o deputado Bruno Araújo (PSDB-PE), que ocupou o posto durante o ano passado.

Ao Broadcast Político, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado, Haddad disse que priorizará sua atuação em duas frentes. A primeira será na "retomada do desenvolvimento econômico do País". "Se essas grandes reformas propostas pelo governo tiverem o apoio claro do PT, vamos fazer a discussão e apoiar algumas delas, como a da Previdência", disse.

De acordo com ele, a oposição, vai "tentar ajudar" o governo nas grandes reformas que visem à retomada do crescimento econômico. "Vamos tentar ajudar o governo, desde que o PT não faça de conta que não é com ele, como vem sinalizando. Algumas reformas, como a da Previdência, são importantes e vamos ter que aprovar", afirmou.

O discurso de Haddad é parecido com o de lideranças da base aliada. Como mostrou o Estado no início do mês, líderes de partidos como PDT e PSD, que ocupam ministérios no governo Dilma, dizem estar abertos para discussão dessas reformas, mas colocam como condição que o PT assuma o protagonismo e o potencial desgaste do debate.

Impeachment. Seu outro foco de atuação, disse Haddad, será o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff na Câmara. Apesar de defender apoio a grandes reformas propostas pelo governo da petista, o parlamentar avalia que Dilma perdeu as condições e legitimidade de governar.

Questionado sobre como se posicionará caso o vice-presidente Michel Temer (PMDB) assuma no lugar de Dilma, o novo líder da minoria defendeu apoio do PSDB a um eventual governo do peemedebista, mas não participação com cargos. "Temer não é o ideal, mas é a melhor solução na atual conjuntura", afirmou.

Haddad lembrou que a melhor solução para seu partido, que ficou em segundo lugar nas eleições presidenciais de 2014, seria a cassação do mandato de Dilma e Temer pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Na corte, os dois são alvos de pelo menos quatro ações protocoladas pelo PSDB nesse sentido.

Indicação. Responsável pela indicação do parlamentar paulista, Antônio Imbassahy diz que, além das "qualidades pessoais" de Haddad, levou em conta na decisão o fato de o deputado ser da bancada de São Paulo, que ocupava a liderança do PSDB na Câmara, com o deputado Carlos Sampaio (SP).

Haddad está em seu primeiro mandato como deputado federal. No ano passado, ele foi um dos vice-líderes do PSDB na Casa. Antes de assumir como deputado, o tucano foi prefeito e vereador de Jundiaí (SP), cidade onde nasceu. Antes de entrar no PSDB, foi filiado ao PMDB e a PSB. 

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