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Novo cenário desafia Aécio

João Bosco Rabello

Se as consultas telefônicas (tracking) realizadas pelos partidos, nos últimos três dias, estiverem próximas da realidade, a pesquisa do Estadão/Ibope, prevista para o início da semana, confirmará um esperado crescimento de Marina Silva entre seis e sete pontos porcentuais, situando a intenção de voto na ex-senadora na casa dos 27%.

Mesmo com as melhoras recentes em seus porcentuais, é provável que a presidente Dilma Rousseff fixe como teto os 38% que a mantêm na liderança no presente estágio da campanha, o que concentra as atenções no desempenho do candidato do PSDB, próximo de ocupar o terceiro lugar na corrida sucessória.

O tempo passa a conspirar contra Aécio Neves, cuja visibilidade ainda precisa ser ampliada, em sincronia com o desafio de traduzir para o eleitor as razões pelas quais se considera a "mudança consistente" desejada por quase 80% dos pesquisados.

Sua dificuldade aumenta porque Marina dá maior visibilidade à convergência de propósitos entre PSB e PSDB, não só no plano econômico, mas também no político.

Por isso, Marina reafirma o compromisso com os fundamentos do Plano Real, que deu estabilidade econômica ao país, acrescentando a autonomia do Banco Central, acenando para o mercado que vê em Aécio a garantia desse resgate.

No campo político, levanta a bandeira do fim da reeleição, cuja iniciativa foi de Aécio, sem a mesma repercussão obtida agora na voz da ex-senadora. Da mesma forma, o princípio de que o Estado não é um partido e que o governo não é o Estado, é uma síntese liberal do ideário tucano, mas que ganha tom de novidade com Marina.

São razões que expõem a impropriedade para o PSDB de adiar o enfrentamento com Marina, por temor de produzir um efeito danoso à campanha, até porque, o real órfão de Campos é o PSB.

Essa dificuldade é real para o PT, que já teve a ex-senadora em seus quadros, não só o partidário, mas o de governo, dos quais saiu por discordar da prática contrária aos princípios que hoje ressalta.

Para o PSDB, a aposta deve ser a de investir na incógnita que Marina representa como gestora, nunca testada, e de seu perfil político, cuja inflexibilidade projeta um eventual governo sem alianças sólidas que o sustentem com um grau razoável de estabilidade.