Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

BASTIDORES: Nova postura coincide com cenário favorável a Renan na Lava Jato

Segundo fontes, o nome do senador não deve ser incluído por Janot entre os que receberão acusações formais ainda neste mês

Beatriz Bulla, O Estado de S.Paulo

13 Agosto 2015 | 02h02

O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), não deve entrar na lista das primeiras denúncias contra políticos que serão oferecidas pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, ao Supremo Tribunal Federal. A expectativa é de que Janot encaminhe ao STF ainda neste mês acusações formais nos casos em que a investigação já está avançada. Segundo fontes que acompanham a investigação de políticos na Lava Jato, não é esta a situação de Renan. A aproximação dele com o governo nos últimos dias coincide com informações que chegaram a interlocutores do senador sobre seu inquérito na operação.

A percepção de pessoas próximas ao grupo formado por Janot para coordenar as investigações que envolvem políticos com foro privilegiado é de que os depoimentos colhidos até agora não trouxeram indícios capazes de reforçar eventual participação de Renan no esquema de corrupção na Petrobrás. Por isso, Janot deve pedir a prorrogação das investigações a seu respeito.

Renan é alvo de três inquéritos que tramitam perante o STF desde março. Ele é apontado pelo ex-diretor da Petrobrás Paulo Roberto Costa, delator da Lava Jato, como responsável pela permanência de Sérgio Machado na chefia da Transpetro. Costa afirmou que um "porcentual" dos valores dos contratos da Transpetro "são canalizados" para Renan, com quem o ex-presidente da subsidiária da estatal se reunia em Brasília.

Outra frente de investigação é fundamentada em depoimento do doleiro Alberto Youssef, que diz saber de negociação com construtora em que o deputado Aníbal Gomes (PMDB-CE) receberia um "pagamento de comissão". Gomes é apontado nas investigações como um "emissário" de Renan.

O presidente do Senado nega que o deputado fosse autorizado a atuar em seu nome. A dificuldade de investigadores, segundo fontes, é apontar a relação entre os dois parlamentares. A apuração sobre Aníbal já estaria "mais avançada". Registros de entrada e saída do edifício sede da Petrobrás no Rio, solicitados pela PF, apontam 45 entradas do deputado peemedebista na estatal. A maioria dos encontros foi com Paulo Roberto Costa. Não há registro de entrada de Renan. O pedido de quebra de sigilo bancário e fiscal no inquérito no qual os dois são investigados abrange apenas o deputado - indicativo de que a investigação avança mais rápido com relação a Aníbal Gomes.

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