Bruno Haddad/Divulgação
Bruno Haddad/Divulgação

As gigantes de R$ 120 bilhões e 410 mil empregos

Odebrecht e Andrade surgiram nos anos 1940, diversificaram operações e atuam em parcerias

Alexa Salomão e Josette Goulart, O Estado de S. Paulo

20 Junho 2015 | 05h00

Obras em dezenas de países, hidrelétricas de grande porte, rodovias, telefonia, sondas de perfuração, submarinos nucleares, usinas nucleares, usinas de açúcar e álcool, logística, aviação, energia, petroquímica, estaleiro e, por que não, também futebol. A lista dos setores em que atuam os grupos Odebrecht e Andrade Gutierrez é extensa, diversificada e vai muito além das fronteiras do Brasil e dos negócios com a Petrobrás, que lhes renderam a investigação hoje em curso. Juntas, as duas faturam cerca de R$ 120 bilhões por ano e empregam 410 mil pessoas.

Ambas foram fundadas nos anos 1940 e cresceram no setor da construção para, em seguida, se espalharem por uma gama de setores, a partir da criação de novas unidades de negócio e subsidiárias. Suas obras e empreendimentos estão por todo o País. A Odebrecht foi responsável tanto pela expansão da Estrada de Ferro Carajás, entre o Maranhão e o Pará, quanto pela obra do Terminal Portuário Embraport, em Santos. O grupo está construindo e vai operar a Linha 6 do Metrô de São Paulo. Também está reformando e tem parte da concessão do Aeroporto Internacional Tom Jobim, no Rio de Janeiro. Na área de defesa, a companhia está construindo o submarino nuclear brasileiro. 

A Andrade Gutierrez foi responsável pela ampliação da Arena Mané Garrincha, em Brasília. Agora, está construindo na capital fluminense o Parque Olímpico, uma das maiores obras para a Olimpíada do Rio, em 2016. Também reforma e tem parceria na concessão do Aeroporto Internacional de Confins, em Minas Gerais. 

Parcerias. Em alguns projetos de esportes, elas são parceiras. Fizeram juntas a reforma do emblemático estádio do Maracanã, no Rio, para a Copa de 2014. Participam do consórcio responsável pela construção da Hidrelétrica de Belo Monte, no Pará. Sob sua responsabilidade estão a duplicação e gerenciamento da BR-163, considerada a principal rota rodoviária de escoamento da produção de grãos do Centro-Oeste aos portos de Santos e Paranaguá, no Paraná. A Odebrecht Transport tem a concessão no extremo Norte da rodovia, em Mato Grosso. A CCR, empresa que tem participação da Andrade Gutierrez, por sua vez, tem a concessão do trecho em Mato Grosso do Sul. 

Ambas as companhias são muito internacionalizadas. A Odebrecht atua em 21 países; a Andrade Gutierrez, em mais de 40. Ambas também participaram do controverso programa de exportação de serviços do BNDES, recebendo recursos para obras em países como Angola, Venezuela e Cuba. 

Mas as empresas também movimentam a economia participando da sociedade de setores que vão muito além do da construção. A Andrade é sócia na Cemig, uma das maiores empresas de geração e distribuição de energia. Está na empresa de telefonia Oi, na Sanepar (Saneamento de Santa Catarina). Por meio da CCR, tem participação em malhas rodoviárias vitais, como a Nova Dutra, que liga São Paulo ao Rio, e AutoBan, em São Paulo. 

A Odebrecht, com a Petrobrás, está na Braskem, única petroquímica do Brasil e a maior da América Latina. Também é sócia da Santo Antônio Energia, dona da usina de mesmo nome, em Rondônia. Por meio de um braço agroindustrial, o grupo também tem a ETH Bioenergia, que atua no setor de açúcar e álcool. É ainda dona de um estaleiro e fornece sete sondas de exploração e perfuração para a Petrobrás, justamente o que agora lhe comprometeu nas investigações / A.S e J.G. 

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