Nova fraude na Telemar envolve ex-funcionários

Após prejuízos de mais de R$ 2 milhões, no chamado ?golpe dos orelhões? a Telemar é vítima de nova fraude na Bahia, desta vez com a participação de técnicos da própria empresa. O desvio no faturamento se dava através da instalação de centrais de telefonia clandestinas em vários locais da cidade, uma delas operando com 20 linhas em uma pequena casa no bairro do Bonfim, na cidade baixa, por agentes da 3ª DP, que prenderam em flagrante o técnico em telecomunicações, Roberto Barreto de Matos, ex-funcionário da Telemar. O delegado Júlio Messias Monteiro, responsável pelas investigações, acredita em uma quadrilha internacional envolvendo indivíduos na cidade de Otawa, no Canadá, e também África e Oriente Médio. "Os primeiros dados revelam contatos entre o técnico Roberto e pessoas de diferentes países, relatando problemas operacionais no sistema", revelou o titular da 3ª DP. Além do imóvel próximo à igreja do Senhor Bonfim, alugado por R$ 400, Roberto já havia feito a locação de outros dois, uma casa no bairro do São Caetano, na periferia desta capital, e um apartamento na Avenida Princesa Isabel, na Barra Avenida, bairro nobre de Salvador. Segundo o titular Júlio Messias, o técnico preso confessou que recebia R$ 3 mil mensais para dar manutenção ao sistema e apoio ao esquema de fraude e já foi autuado de acordo com a Lei de Telecomunicações, artigo 184. "Estamos agora levantando a relação de nomes dos envolvidos que atuavam dentro da própria empresa, sem o que seria impossível a instalação de tantas linhas e o desvio na arrecadação", disse. A investigação envolve ainda a análise, por peritos da Polícia Técnica de discos rígidos e equipamentos apreendidos. Uma denúncia, feita pela proprietária do imóvel alugado no Bonfim, que estranhou o fato da casa estar sempre fechada, originou a investigação. Constatada a operação da central clandestina, a polícia simulou um problema e acionou Roberto pelo celular, realizando a prisão em flagrante. O delegado procura ainda um homem de origem árabe, identificado apenas como Maher, que estaria, segundo Roberto, envolvido no esquema.

Agencia Estado,

06 Outubro 2001 | 12h36

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