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Nova fase de operação traz revolta e esperança a cooperados da Bancoop

Ao investigar a cooperativa, Lava Jato dá motivação a clientes que perderam dinheiro na compra de imóveis, mas suspeitas provocam indignação

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Pedro Venceslau,
O Estado de S. Paulo

28 Janeiro 2016 | 03h00

A notícia de que a Polícia Federal incluiu um apartamento tríplex que seria da família do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no Edifício Solaris, no Guarujá, na Operação Triplo X, que investiga imóveis da Cooperativa Habitacional dos Bancários (Bancoop) adquiridos pela empreiteira OAS, gerou expectativa entre os cooperados que tentam há anos recuperar na Justiça os investimentos feitos em imóveis vendidos pela entidade e que nunca saíram do papel. 

“Estou confiante que a Operação (Triplo X) vai fortalecer nossa ação na Justiça. Estou há sete anos tentando recuperar o dinheiro que eu investi”, afirma o engenheiro mecânico Lúcio Lima, que faz parte das Associação das Vítimas da Bancoop. 

O engenheiro mecânico conta que, atraído pelas “promoções” da cooperativa, comprou na planta em 2001 um apartamento de três dormitórios no Residencial Costa Verde, na capital paulista, por R$ 68 mil. “A Bancoop tinha vários empreendimentos. Eu achava que a retaguarda do Sindicato dos Bancários dava confiança para o negócio”, diz Lima. 

Depois de reiterados atrasos, porém, os compradores começaram a desconfiar que havia algo de errado com a obra. “Víamos ela sempre atrasar e depois ainda pediram um suporte de R$ 48 mil para sua conclusão. Muitos pagaram, mas eu não”, conta. Ainda segundo o engenheiro, os cooperados tentaram sair da Bancoop para concluir a obra por conta própria, mas a cooperativa insistiu em passar o empreendimento para a OAS, que também não o finalizou. “Achamos que uma empreiteira de grande porte como aquela não iria se sujar por causa de um empreendimento tão pequeno”, afirma. 

Também prejudicado pela insolvência da Bancoop, o empresário Renato Goulart Queiroz se diz “revoltado” com a suspeita de que a OAS teria entregue as chaves de uma apartamento que seria de Lula enquanto outros milhares de associados estão à espera de seus imóveis. 

“Estamos revoltados e com vergonha de ter entrado nessa cooperativa. Quando se fala em Bancoop, que foi criada pelo PT, se pensa em política”, afirma. Goulart comprou, por R$ 74 mil, no mesmo residencial de Lúcio Lima, que deveria contar com três torres, piscina e área de lazer. “Dois anos depois percebemos que não seria entregue”, afirma. 

Duas torres chegaram a ser concluídas, mas as chaves não foram entregues e alguns associados invadiram o local e permaneceram lá mesmo sem água e documentação. “São milhares de famílias que ficaram sem ter onde morar depois de terem investidos em vários empreendimentos da Bancoop”, desabafa o empresário. Procurada, a assessoria da OAS não se manifestou. 

Insolvência. Criada em 1996 pelo Sindicato dos Bancários, um dos principais berços políticos de lideranças do PT, a Cooperativa Habitacional dos Bancários de São Paulo foi apresentada ao mercado como um investimento ousado. A ideia de construir conjuntos habitacionais de baixo custo em regiões estratégicas da capital e litoral para seus associados foi idealizada, entre outros, por Ricardo Berzoini, atual ministro-chefe da Secretaria de Governo da gestão Dilma Rousseff, e por João Vaccari Neto, ex-tesoureiro do PT que foi preso, alvo da Operação Lava Jato. Ambos despontaram na política como lideranças dos bancários e foram fundadores do PT. 

Foi em 2007 que a Bancoop comprou o terreno no Guarujá, no litoral paulista, onde foi erguido o imponente edifício Solaris. Três anos depois, porém, a cooperativa ficou insolvente e prejudicou pelo menos três mil pessoas que adquiriram imóveis na planta. 

“Naquele tempo, em 1996, várias cooperativas como a Bancoop foram criadas por diferentes setores. Era um programa habitacional que parecia bem sucedido”, lembra o cientista político Aldo Fornazieri, diretor da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP).

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