Nova fase da Acrônimo mira direção da Cemig

Fausto Macedo / SÃO PAULO

Fábio Fabrini , Andreza Matais / BRASÍLIA , O Estado de S.Paulo

02 Outubro 2015 | 02h04

A Polícia Federal deflagrou ontem mais uma fase da Operação Acrônimo, que investiga irregularidades na campanha de 2014 e suposto recebimento de propina pelo governador de Minas, Fernando Pimentel (PT-MG), quando ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. Durante as ações, agentes fizeram buscas nos endereços de pessoas ligadas ao petista e de empresas suspeitas de pagar "vantagens indevidas" a ele.

A PF cumpriu 40 mandados de busca e condução coercitiva em Minas, São Paulo, Distrito Federal e Goiás. Em Belo Horizonte, os policiais ficaram cerca de duas horas na casa do presidente da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig), Mauro Borges, que é amigo e apadrinhado político de Pimentel, além de tê-lo sucedido no ministério entre fevereiro e dezembro de 2014.

Borges foi levado a prestar depoimento na Superintendência da PF. O Estado apurou que ele optou por ficar em silêncio. Conforme fontes com acesso às investigações, que correm em sigilo, Borges é suspeito de dar continuidade ao esquema de favorecimento de empresas no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), supostamente iniciado por Pimentel. O banco é subordinado ao ministério.

Conforme o inquérito em curso no Superior Tribunal de Justiça (STJ), o governador teria recebido dinheiro de empresas que mantêm relações comerciais com o BNDES. Parte desses recursos teria sido transferida a "pessoas interpostas", entre elas a primeira-dama de Minas, Carolina Oliveira, também investigada, e o empresário Benedito Rodrigues de Oliveira Neto, o Bené, colaborador da campanha do petista em 2014, na qual teria havido caixa 2. Bené é também acusado de desviar recursos de contratos com o governo federal. Ele teria pago uma viagem a um resort na Bahia para Pimentel e a esposa.

Também foram cumpridos ontem mandados em endereços da Odebrecht Ambiental, do Grupo Casino, da OAS e da Marfrig, em busca de provas para instruir o inquérito que apura suposto favorecimento no BNDES. As empresas negam irregularidades e sustentam que sua postura é de colaborar com o trabalho de investigação.

Também houve buscas na Confederação Brasileira de Futebol (CBF). Nesse caso, o alvo da PF é contrato recém-firmado pela entidade com a MR Consultoria, do jornalista Mário Rosa, suspeita de repassar recursos de empresas beneficiadas pelo BNDES a Carolina Oliveira. Rosa nega envolvimento em ilegalidades. A CBF não se pronunciou.

O criminalista Pierpaolo Bottini, que defende Fernando Pimentel, informou ontem que não teve acesso às razões das ações. "Assim que soubermos, tomaremos as medidas necessárias", acrescentou.

Borges confirmou, em nota divulgada pela Cemig, que esteve na Superintendência da PF

em Belo Horizonte para prestar depoimento no âmbito na Operação Acrônimo. Ele informou que foram apreendidos em sua casa equipamentos eletrônicos, "tais como tablets, notebooks e telefones celulares". "A ação da PF não guarda relação com a Cemig", acrescentou.

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