'Nós somos a opinião pública', afirma Lula

Presidente critica imprensa e diz que não precisa de formadores de opinião

Rodrigo Alvares, do estadão.com.br,

18 Setembro 2010 | 15h16

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a fazer críticas contundentes à imprensa e à oposição durante comício realizado na tarde deste sábado, em Campinas (SP).

 

"Tem dias em que alguns setores da imprensa são uma vergonha. Os donos de jornais deviam ter vergonha. Nós vamos derrotar alguns jornais e revistas que se comportam como partidos políticos. Nós não precisamos de formadores de opinião. Nós somos a opinião pública", afirmou.

 

Também falou que os jornalistas precisam ter um "lado" porque também votam. Lula também atacou abertamente o PSDB: "Não tem nada que faça um tucano sofrer mais que ter um bico tão grande para falar e tão pequeno para fazer".

 

Caminhando de um lado para o outro no palco, o presidente chegou a ironizar que Dilma Rousseff, Aloizio Mercadante e José Eduardo Dutra haviam pedido para ele "se conter". "Tem algumas coisas que precisam ser ditas. Vocês sabem que tucano come até filhote no ninho. Quando o Mercadante se eleger governador, vou criar um Bolsa Família para os tucanos não passarem fome.

 

Pouco antes, Dilma falou que "em 2002, eles diziam que não tínhamos competência para governar. Hoje, podemos falar que um metalúrgico foi capaz de fazer mais escola técnica do que os doutores que vieram antes".

 

A petista não comentou a saída de sua sucessora na Casa Civil, Erenice Guerra, ou as asdenúncias puclicadas nos últimos dias. Preferiu mobilizar a plateia até o dia 3 de outubro e se ateve às conquistas do governo Lula: "Daqui a 15 dias, vamos estar decidindo qual é o rumo deste País. Se queremos aquele País das desigualdades ou se queremos um País construído pelo presidente Lula.

 

A ex-ministra da Casa Civil disse que vai "honrar o legado desse governo sem miséria, onde podemos viver em paz". "Mais que honrar, vou seguir um conselho do Lula: 'O difícil não é governar, é governar com o coração. Você tem de saber de que lado está. Nós estamos do lado de 190 milhões de brasileiros".

 

'Não adianta produzir manchetes contra nós'

 

O presidente do PT, José Eduardo Dutra, também atacou a oposição. Dirigindo-se a Lula, afirmou que "eles são falsos defensores da liberdade que acusam o senhor de governar em cima de palanques, mas eles sentem falta dos que governavam em cima de tanques".

 

Para Dutra, estão criando "uma farsa" contra o partido e a campanha da ex-ministra Dilma Rousseff. "Estão tentando construir uma farsa para impedir o que o povo brasileiro já decidiu. Não adianta farsa, nem armação. Não adianta produzir manchetes contra nós", disse Dutra. Nesses últimos dias de campanha, nós vamos avermelhar Campinas, São Paulo e todo o Brasil", finalizou.

 

Candidato ao Senado pelo PC do B, Netinho de Paula dissse que ainda não viu na "TV da turma do contra um comício como esse". "Cada vez que sai matéria descabida, é mais que vou pro gueto, que lá eles entendem a gente". Na sua vez, Marta Suplicy declarou que "vem bordoada de todo lado, mas nós temos um partido unido".

 

Mercadante preferiu falar de suas propostas para o governo de São Paulo e da falta de investimentos na região durante a gestão do PSDB: "Durante muito tempo essa cidade ficou abandonada. Para nós, o PAC significa "Presidente Amigo de Campinas". Voltou a defender o trem-bala que ligaria Campinas a São Paulo e criticou a educação no período tucano: Como é que um aluno na 5ª série não sabe ler? Eles fazem de conta que não veem o que tá acontecendo".

 

Candidato a vice-presidente, Michel Temer (PMDB) foi procurado no palco duas vezes. A primeira, por Netinho: "Cadê meu mano Michel?". Depois, por Lula: "Onde tá o Temer?". Ao discursar, o deputado garantiu que "quando eliminamos o showmício, reclamaram que não haveria mais comício no Brasil. Mas hoje os comícios se repetem porque o governo Lula é um show".

 

Comício

 

O Largo do Rosário, na região central de Campinas foi tomado por cerca de 30 mil pessoas, segundo a organização do evento - que começou às 13h, com duas horas de atraso. Assim como aconteceu em Recife, há duas semanas, houve muita confusão para os militantes entrarem no cercado estabelecido pela segurança presidencial. Apesar do esquema para proteger Lula, muitos prédios comerciais no entorno estavam abarrotados de curiosos nas janelas. Um limpador de janelas parou o que estava fazendo na marquise de um prédio ao lado do palco quando Lula começou a discursar.

 

Atualizada às 17h01

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.