No Piauí, Castro é conhecido como ‘homem das obras’

No quinto mandato como deputado, ministro da Saúde deixou de atuar na área médica desde a sua primeira eleição

Valmar Hupsel Filho, ENVIADO ESPECIAL, O Estado de S. Paulo

11 Outubro 2015 | 03h00

Em seu quinto mandato como deputado, Marcelo Castro (PMDB-PI) foi alçado à condição de ministro da Saúde no bojo de uma negociação entre a presidente Dilma Rousseff e o líder do PMDB na Câmara, Leonardo Picciani (RJ), como forma de pacificar a ala rebelde da bancada. Apesar de ser médico com doutorado em psiquiatria, o peemedebista tem pouca atuação na área.

Desde sua primeira eleição, Castro não atua mais como médico e professor de medicina. Se ele quiser, hoje não pode atuar na profissão. Seus registros nos conselhos regionais de medicina do Piauí e do Rio de Janeiro estão inativos. Sua única atuação como gestor em Saúde remonta a década de 1990, quando foi presidente do Instituto de Assistência e Previdência do Piauí (Iapep).

“Ele era um excelente professor de psiquiatria. Falava muito bem. Talvez por isso virou deputado”, diz o presidente do Conselho Regional de Medicina do Piauí, Emmanuel Fontes.

Fontes considera positiva para o Piauí a chegada de Castro ao ministério, não pela sua relação com o setor, mas pelo fato de ser um representante do Estado. “A situação da saúde em Teresina é um caos”, resume.

Como deputado, sua atuação é mais lembrada em seu Estado natal pelo foco no setor de infraestrutura. Em diversas ocasiões, Castro disse em entrevistas que é um “homem das obras”.

Em seus mandatos, exercia influência sobre o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) e a secretaria de infraestrutura do Piauí ao mesmo tempo em que a construtora Jurema, que pertence a seus irmãos, era a principal executora de obras públicas no Estado.

A construtora é alvo de três inquéritos, duas ações criminais e uma civil pública por improbidade administrativa. Entre as acusações estão irregularidade na gestão de recursos públicos, favorecimento e fraude em licitação, superfaturamento de preços e uso de falsas notas fiscais.

A revelação de suas ligações com a construtora impediram por duas vezes Castro de assumir ministérios. Nas ocasiões, ele negou ser sócio e ter influência política sobre os contratos públicos da Jurema. O Estado tentou contato com advogados e diretores da construtora, mas não obteve retorno.

O deputado também é conhecido no Piauí como grande fazendeiro. Ele tem ao menos 12 fazendas, além de glebas, no interior do Estado, de acordo com sua declaração de bens apresentada à Justiça Eleitoral em 2014.

No documento, Castro declara ter R$ 1,3 milhão em bens, mas os valores declarados sugerem que o total seja muito maior. A fazenda Bola Um, por exemplo, é declarada no valor de R$ 50 mil. A fazenda de 5 mil hectares, na região de Santa Luz do Piauí, é considerada modelo. Na região, comenta-se que não valha menos de R$ 15 milhões.

Há ainda propriedades declaradas por valores que não pagariam a cerca em torno do terreno, como a fazenda Aroeira e Maxixeiro II, ambas no município de João Costa. A primeira foi declarada no valor de R$ 1 mil e a segunda por R$ 1,5 mil.

O Estado tentou contato com Castro na sexta-feira via assessoria de imprensa do Ministério da Saúde, mas foi informado que o ministro estava sem agenda para atender a reportagem.

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