Marcelo Camargo/Agência Brasil
Marcelo Camargo/Agência Brasil

Necessidade de financiamento pode desidratar pretensões de Maia e Meirelles, diz professor da FGV

Samuel Pessôa lembra partidos precisam bancar também candidaturas proporcionais, como de deputados

Daniela Amorim e Denise Luna, O Estado de S.Paulo

02 Abril 2018 | 11h33

RIO - A mudança no financiamento de campanha e a necessidade de capilaridade das candidaturas para a Presidência da República devem desidratar as pretensões do atual presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, e do ministro da Fazenda, Henrique Meirelles. A avaliação é de Samuel Pessoa, pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV).

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Segundo Pessôa, para sustentar uma candidatura competitiva à Presidência os partidos terão que retirar recursos de candidatos proporcionais, como deputados.

"A candidatura do deputado Rodrigo Maia vai virar uma candidatura de deputado federal com forte possibilidade de ser presidente da Câmara. É o segundo cargo mais importante do País", defendeu Pessôa.

O pesquisador considera que embarcar de fato na candidatura presidencial seja um projeto arriscado, o que poderia fazer com que possíveis candidatos desistam no meio do caminho. "Isso deve acontecer também com o ministro (Henrique) Meirelles", opinou.

"Acho positivo do ponto de vista da saúde política essa defesa do legado, mas mesmo a candidatura do presidente Temer não é certo que vá ficar até o final", completou.

Na avaliação de Pessoa, é possível que candidatos de direita e centro-direita se unam em torno da candidatura do atual governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, enquanto que o PT poderia investir na candidatura de Patrus Ananias ou apoiar Ciro Gomes. "Patrus Ananias é o melhor para enfrentar essa eleição, ou o Ciro Gomes, que parece um competidor muito forte", afirmou Pessoa.

Quanto a Jair Bolsonaro, Pessoa considera que seja um candidato forte, mas sem fôlego para chegar à Presidência.

"É uma candidatura muito forte, mas com o tempo de TV que ele tem, o dinheiro que ele tem e a capilaridade do partido dele, vai desinflar", previu o pesquisador.

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