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Eleições 2014

'Não vejo como o PMDB do Rio ficará na aliança nacional', diz Cunha

WILSON TOSTA - Agência Estado

20 Janeiro 2014 | 17h 17

Líder do partido na Câmara voltou a pressionar o governo Dilma Rousseff após o diretório do PT no Estado oficializar candidatura de Lindbergh

Rio - O comando do PMDB vai intensificar a pressão sobre o Palácio do Planalto para forçar o PT nacional a intervir e impedir que o senador Lindbergh Farias (PT) seja candidato a governador do Rio, em chapa rival à do vice-governador Luiz Fernando Pezão, postulante do PMDB.

O partido antecipará sua convenção para abril e colocará a manutenção da coligação nacional no centro da discussão da aliança de apoio à reeleição da presidente Dilma Rousseff, afirmou o líder peemedebista na Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (RJ). No sábado, 18, o diretório regional do PT fluminense aprovou a entrega em 28 de fevereiro dos cargos no governo Sérgio Cabral Filho (PMDB) e o lançamento de Lindbergh.

"A antecipação da convenção pode ser a saída para resolver (o impasse) ou mudar de lado", disse Cunha, ressaltando que só dava uma opinião. "Não vejo como o PMDB do Rio ficará na aliança nacional se o PT local tiver candidatura própria. Vamos ver como isso contamina a coligação (de apoio a Dilma)."

A convenção deverá acontecer no fim de abril, bem antes do término do prazo legal, em junho. A antecipação foi acertada em reunião com o vice-presidente Michel Temer, os presidentes do Senado, Renan Calheiros (AL), e da Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN), líderes nas duas Casas e dirigentes partidários, em Brasília, na última quarta-feira, 15.

"Vamos votar o apoio à reeleição. Já que o PT colocou um fato consumado, vamos ver como fica a questão nacional", disse Cunha, para quem "é óbvio" que a decisão tomada pelo PT no sábado "dificulta" e "vai complicar" a aliança em torno de Dilma. "Com a decisão do PT, o PMDB do Rio fica liberado para fazer o que quiser, fica solto."

O partido estimula especulações sobre a possibilidade de sua seção fluminense apoiar outro presidenciável, possivelmente Aécio Neves (PSDB), se Lindbergh for lançado candidato.

Depois da decisão do PT, Cabral, que manifestara a intenção de renunciar em 31 de março, anunciou que anteciparia a saída em um mês, deixando o Palácio Guanabara em 28 de fevereiro, junto com os petistas.

Ele precisa sair do governo, no máximo, seis meses antes do primeiro turno da eleição, porque pretende concorrer a um cargo no Senado, e seu filho Marco Antônio também tentará uma cadeira de deputado. No PMDB, a decisão foi vista como um modo de dar mais exposição a Pezão, que amarga índices modestos nas pesquisas.

"Acho que o governador (com o anúncio) quis demonstrar que o governo é feito em parceria. Se a parceria foi desfeita, prefere sair. Também foi uma maneira de dar mais visibilidade a Pezão e mostrar que sua candidatura é para valer", afirmou Cunha.

O presidente do PT do Rio, Washington Quaquá, considerou "estranho" que Cabral anunciasse a antecipação da saída em função da decisão do PT. "Assumimos a ofensiva. Lindbergh é o candidato com maior potencial, lançou sua candidatura e partiu para consolidar a chapa, o que nos coloca no centro da disputa. Os outros começam a se mexer em função da nossa movimentação."

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