‘Não vão tirar dinheiro do PAC’, garante o presidente

Irritado por ter sido contrariado pela petista Serys Slhessarenko, Lula lembrou que pode vetar parte do Orçamento 2011

Luciana Nunes Leal, de O Estado de S.Paulo,

21 Dezembro 2010 | 23h01

RIO - O Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) voltou a criar atrito, ontem, entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e seus companheiros de partido. Depois de desautorizar o ministro da Fazenda, Guido Mantega, que falou em redução do ritmo das obras, Lula anunciou que vetará parte do Orçamento de 2011 se for mantido pela relatora, senadora Serys Slhessarenko (PT-MT), o corte de R$ 3,3 bilhões nos recursos do PAC.

 

Em entrevista durante visita ao Complexo do Alemão, Lula mostrou irritação com as notícias de que a ordem de não cortar verbas do PAC tinha sido contrariada pela relatora. "Não pode torcer para as coisas darem errado ou tentar desmentir o presidente. Vocês sabem que eu tenho poder de veto. Esse Orçamento, depois de votado, vai vir para mim, mas está sendo negociado. O fato de a relatora dizer que quer fazer isso ou aquilo... Primeiro precisa ver se vai fazer. O que eu posso dizer é que não vão cortar dinheiro do PAC."

 

O presidente lembrou que, naquele mesmo local, em 2008, lançou o apelido de "mãe do PAC" para a futura presidente Dilma Rousseff, escolhida por ele para disputar a eleição presidencial dois anos depois. "O compromisso da companheira Dilma é pelo desenvolvimento do País, ela foi a gestora do PAC. Vamos esperar ser aprovado para saber se vai cortar alguma coisa do que nós colocamos", disse.

 

Em discurso transmitido por meio de videoconferência também para moradores da Rocinha, Lula se despediu do Rio como presidente e exaltou a parceria da União com o Estado. "Só lamento não poder inaugurar todas as obras que nós começamos, mas eu tenho a convicção de que nós entramos num ritmo de crescimento que não tem como voltar", disse ao governador Sérgio Cabral (PMDB).

 

Como não pôde comparecer a todos os compromissos previstos inicialmente, a solução foi exibir, no Complexo do Alemão, imagens da inauguração de 26 quilômetros de duplicação da rodovia BR-101 e de 144 unidades habitacionais na Rocinha.

 

Justificativa

 

Apesar da redução de R$ 3,368 bilhões do recurso do PAC, o representante do governo na Comissão Mista do Orçamento (CMO), deputado Gilmar Machado (PT-MG), afirmou que não houve corte nos recursos do programa. "Foi um remanejamento na forma de guardar o recurso." No relatório-geral apresentado pela senadora Serys, o recurso destinado ao PAC recuou de R$ 43,518 bilhões para R$ 40,150 bilhões.

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