Não há risco de ‘ruptura institucional’, diz presidente

Questionada sobre crises e impeachment, Dilma afirma que País busca ‘estabilidade’

Andrei Netto, enviado especial de O Estado de S.Paulo

20 Outubro 2015 | 02h04

ESTOCOLMO - A presidente Dilma Rousseff descartou ontem, em Estocolmo, na Suécia, que seu governo corra risco de impeachment em razão da crise política. Dilma afirmou que não haverá “ruptura institucional” no Brasil, nem “crise política mais acentuada”.

 

As declarações foram dadas em entrevista concedida ao lado do primeiro-ministro da Suécia, Stefan Löfven, horas antes da coletiva do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB), em Brasília. 

Questionada pela imprensa sueca sobre se as crises econômica e política e a ameaça de impeachment colocavam a perigo o contrato de US$ 4,5 bilhões com a Saab para aquisição de 36 aviões de caça Gripen NG, que equiparão a Força Aérea Brasileira (FAB), a presidente descartou a possibilidade.

“Eu asseguro que o Brasil está em busca de estabilidade política e não acreditamos que haja qualquer processo de ruptura institucional”, respondeu. “Nós somos uma democracia e temos tanto um Legislativo, como um Judiciário e um Executivo independentes, mas também que funcionam com autonomia e harmonia. Não acreditamos que haja nenhum risco de crise política mais acentuada.”

Dilma ressaltou ainda que países como Estados Unidos e nações da Europa, que sofreram mais o impacto da crise econômica de 2008, não romperam contratos firmados, e que não há razões para crer que isso poderia acontecer no caso da Saab no Brasil. Como já havia feito minutos antes em discurso a empresários suecos, a presidente reiterou a força da economia do País e o caráter “conjuntural” da turbulência econômica. 

“O Brasil tem uma economia estruturalmente sólida. Nós não temos bolhas de crédito, não temos um processo estrutural que leve o Brasil a uma crise profunda, não temos problemas monetários”, afirmou. “A crise do Brasil é conjuntural e está sendo enfrentada.”

Anteontem, no primeiro dia da visita oficial à Suécia, Dilma afirmou que “lamentava” que o escândalo de corrupção envolvesse “um brasileiro” ao comentar a repercussão internacional da denúncia e suspeitas envolvendo o presidente da Câmara com o esquema de corrupção na Petrobrás. A presidente também negou que o governo tenha negociado um acordo com Cunha, que tem a prerrogativa de analisar os pedidos de impeachment no Congresso.

Sem guerra. Ministros e assessores palacianos garantiram ao Estado, porém, que a frase de Dilma não pode ser interpretada como uma declaração de guerra a Cunha. Nos bastidores em Estocolmo, a declaração da presidente foi recebida com surpresa. 

Questionado, um ministro que a acompanha na delegação comentou, no entanto, que a interpretação de uma “guerra aberta” contra Cunha é equivocada. “Não acho que se trate de uma declaração de guerra, não. No conselho político não é essa a decisão”, afirmou o ministro.

Um assessor direto da presidência explicou que a declaração surpreendeu os integrantes da comitiva porque o momento no governo não é de enfrentamento com Cunha. Para ele, o lamento de Dilma teria sido uma declaração de improviso a uma questão inesperada pela presidente.

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