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DIDA SAMPAIO|ESTADÃO

'Não há pessoa fora de investigação', afirma Janot sobre Dilma

Procurador ainda contra-atacou comentários de Lula, que criticou sua 'gratidão pela nomeação'; 'Eu estudei para caramba', respondeu

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Jamil Chade,
Correspondente de O Estado de S. Paulo

17 Março 2016 | 06h08

BERNA - O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, afirmou nesta quinta-feira, 17, que ninguém é imune a investigações, ao ser questionado sobre a possibilidade de pedir a abertura de inquérito contra a presidente Dilma Rousseff por causa das suspeitas de tentar obstruir as investigações da Operação Lava Jato.

"Nosso trabalho é republicano. Não há pessoa fora de investigação", disse a dois repórteres brasileiros, insistindo que não poderia antecipar o que vai fazer. 

Em Berna para reuniões com o Ministério Público da Suíça, Janot pode anunciar em seu retorno ao Brasil a abertura de inquérito contra Dilma.

O procurador já havia apontado nessa direção na quarta-feira, 16, em Paris, diante do conteúdo da delação premiada do senador Delcídio Amaral. Agora, seus assessores indicam que a possibilidade foi reforçada essa com a divulgação dos telefonemas trocados entre ela e o ex-presidente e futuro ministro, Luiz Inácio Lula da Silva.

Questionado se ser presidente impediria um inquérito, ele respondeu: "De jeito nenhum, de jeito nenhum".

Diante da insistência dos repórteres, ele disse : "Não tem nada decidido". Mas voltou a comentar sobre a imunidade de Dilma. "Ninguém (está imune), ninguém ". 

Estudo. Janot ainda fez questão de responder aos comentários de Lula que criticam, em uma gravação telefônica, sua "gratidão". "Essa é a gratidão. Essa é a gratidão dele por ele ser procurador", disse Lula ao advogado Luiz Carlos Sigmaringa Seixas no dia 7 de março. Lula insistia que Janot tinha recusado quatro pedidos de investigação de Aécio Neves. 

O procurador, na Suíça, contra-atacou. "Os cargos públicos não são dados de presente. Eu sou muito grato a minha família", insistiu. "Fiz concurso. Estudei para caramba. Tenho 32 anos de carreira", completou. Janot foi nomeado ao cargo por Dilma Rousseff, em 2013, e reconduzido em 2015. 

Questionado se estava surpreso com o teor das declarações de Lula, ele respondeu: "Por isso, eu disse isso".

Janot passou parte da madrugada em um dos restaurantes do hotel onde está hospedado na Suíça escutando aos trechos das gravações e as reações das ruas. A lado de dois assessores, apenas foi para o quarto perto da 1 hora. "Dormi pouco", admitiu na manhã desta quinta-feira. 

Questionado se havia escutado às gravações das conversas de Lula, ele ironizou: "Qual delas?". "Eu nem consegui ler os jornais. É muita coisa", disse.

Procuradores da Lava Jato também pediram ao juiz federal Sérgio Moro que encaminhe o caso ao procurador-geral em Brasília e consideraram que existem indícios suficientes para um inquérito. 

Ouça abaixo as gravações da conversa entre Dilma e Lula

 

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