Nilton Fukuda/Estadão
Nilton Fukuda/Estadão

'Não há nada mais duro que ser injustiçado', diz Alckmin sobre delações

Três delatores da Odebrecht afirmaram que o governador recebeu mais de R$ 10 milhões do setor de propinas da empreiteira a pretexto de contribuição eleitoral

Daniel Weterman, O Estado de S.Paulo

20 Abril 2017 | 12h35

SÃO PAULO - Mais uma vez se defendendo das delações de executivos da Odebrecht, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), afirmou nesta quinta-feira, 20, que não há nada "mais duro" do que ser injustiçado. Ele nega todas as acusações de que teria recebido recursos ilícitos em campanhas eleitorais e fez a declaração comentando a estratégia do PSDB paulista de defender o legado do partido e evitar o mesmo destino do PT na Operação Lava Jato.

De acordo com o jornal Folha de S. Paulo, o PSDB paulista fez nesta quarta-feira, 19, uma reunião com jovens lideranças do partido para pedir apoio em defesa ao governador e a outros tucanos investigados na Operação. Nessa estratégia, há uma sugestão para que a legenda envie uma carta aos filiados pedindo altivez na defesa.

"Não há nada mais duro que você ser injustiçado. Delação não é prova. Delator é alguém que é réu confesso e está tentando escapar, fazer alguma coisa para que, no mínimo, sua pena seja diminuída. Então é preciso verificar", disse o governador, quando perguntado sobre a estratégia de defesa do partido.

Alckmin voltou a falar que confia "absolutamente" na Justiça ao punir culpados e inocentar quem é inocente. Nos acordos de colaboração premiada com o Ministério Público Federal (MPF), três delatores da Odebrecht afirmaram que o governador recebeu por meio de um cunhado R$ 10,7 milhões do setor de propinas da empreiteira a pretexto de contribuição eleitoral - R$ 2 milhões no ano de 2010 e R$ 8,3 milhões no ano de 2014, todas somas não contabilizadas. Ele nega que tenha recebido qualquer valor ilícito em sua vida pública.

2018. Após um levantamento do Ibope mostrar queda em seu potencial de voto para ser presidente da República, Alckmin (PSDB) afirmou que é preciso se preparar para apresentar um "grande programa de trabalho" ao País em 2018, quando pretende ser candidato ao Planalto pelo PSDB. Ele afirmou que a pesquisa é resultado dos candidatos que apareceram na televisão nas eleições de 2016 e 2014. O que vale, enfatizou, é a sondagem feita em ano de eleição e após o programa eleitoral na TV e no rádio.

Alckmin disse que é preciso se preparar para apresentar um programa ao País no ano das eleições e desatar as "amarras" que provocaram três anos de recessão econômica. "É preciso agir nas causas, no conjunto de fatores que amarrou o País e impediu o seu crescimento, pelo contrário, fez com que nós tivéssemos três anos andando para trás", afirmou, após participar de uma cerimônia para apresentação da primeira empresa a se instalar no Parque Tecnológico do Estado.

O governador disse que o País é vocacionado para crescer e que é preciso se prepara para isso. "Temos que nos preparar para realmente no momento adequado, que é o ano que vem, ser apresentado um grande programa de trabalho", afirmou.

O tucano participou, no Palácio dos Bandeirantes, da apresentação da primeira empresa que vai se instalar no Parque Tecnológico do Estado, na zona oeste da capital paulista, a indústria farmacêutica Ibbis, para o desenvolvimento de pesquisas no setor de medicamentos. 

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