'Não fiz dinheiro na vida pública', diz Aécio em vídeo

Senador afastado afirma em gravação que pediu dinheiro a empresário investigado para custear defesa

Pedro Venceslau, O Estado de S.Paulo

23 Maio 2017 | 19h21

O senador afastado Aécio  Neves (PSDB-MG) divulgou nesta terça-feira, 23, um vídeo, em sua primeira aparição pública após ser afastado do Senado e da presidência do PSDB a partir da delação de Joesley Batista, da JBS, em que reitera versão de sua defesa sobre dinheiro pedido ao empresário. Sua irmão, Andrea Neves, também citada nas acusações, foi presa preventivamente.

Em uma fala de quatro minutos, Aécio afirmou que recorreu ao empresário da JBS para vender um apartamento de sua família no Rio de Janeiro porque "não fez dinheiro na vida pública".

"Há cerca de dois meses eu pedi à minha irmã, Andrea, que procurasse o senhor Joesley e oferecesse a ele a compra de um apartamento onde minha mãe vive há mais de 30 anos. Com parte desses recursos eu poderia pagar minha defesa. Fiz isso porque não tinha dinheiro. Não fiz dinheiro na vida pública", afirmou.

Em outro trecho, ele diz que Joesley ofereceu outro caminho e armou uma "encenação" ao oferecer empréstimo de R$ 2 milhões. "Fui vítima de um armação conduzida por réus confessos. Sempre respeitei cada voto que recebi. Nos últimos dias, e vocês podem imaginar, minha virou pelo avesso."

Por fim, o tucano faz uma autocrítica. "Tenho que admitir que errei, e isso me corrói as vísceras. Em primeiro lugar por ter permitido que minha irmã se encontrasse com um cidadão cujo caráter todo o Brasil conhece. Em segundo, ao utilizar, mesmo em conversa particular, um vocabulário que não costumo usar, e por isso peço desculpa. Meu maior erro porém foi me deixar enganar numa trama montada por um criminoso. Os criminosos são aqueles que enriqueceram às custas do dinheiro públco e agora vivem no exterior zombando  dos brasileiros", avalia.

No dia 18 de maio, o ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal, mandou prender a irmã e um primo do tucano a partir de acusações feitas por Joesley em delação firmada com o Ministério Público Federal. O empresário da JBS relatou encontro com o senador realizado no dia 24 de março em um hotel em São Paulo. Na ocasião, segundo a investigação, Aécio pediu R$ 2 milhões a Joesley alegando que precisava de recursos para pagar sua defesa na investigação – o senador é alvo de seis inquéritos no Supremo.

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