'Não faz sentido ouvir o Serra', diz corregedor do governo paulista

Troca de e-mails entre funcionários da Siemens mostram que ex-governador tinha ciência do cartel das empresas de metrô

Pedro Venceslau e Beatriz Bulla, O Estado de S. Paulo

09 Agosto 2013 | 12h04

O Corregedor-geral da administração do governo estadual de São Paulo, Gustavo Ungaro, disse nesta sexta-feira, 9, durante solenidade no Palácio dos Bandeirantes que o ex-governador José Serra não será ouvido para esclarecer as denúncias de que ele estaria envolvido no caso de formação de cartel para compra de vagões de metrô em São Paulo.

E-mails que fazem parte dos documentos em poder do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) na investigação sobre o cartel de empresas de trens mostram que funcionários da Siemens disseram que tanto Serra quanto o então deputado José Roberto Arruda, ex-governador do Distrito Federal, tinham ciência da ação das empresas no setor metroferroviário.

"Não faz sentido (ouvir o ex-governador). Ele não está no foco", disse Ungaro. A declaração aconteceu no final de um evento que marcou a instalação de um grupo formado por entidades da sociedade civil que vai acompanhar a apuração da corregedoria no caso Siemens. O Corregedor alegou que não é uma prerrogativa do órgão ouvir ex-governadores.

O grupo anunciado nesta sexta se reunirá pela primeira vez na próxima sexta-feira. O evento foi marcado por críticas ao Cade, órgão do governo federal que está sendo acionado judicialmente pelo governo paulista para fornecer os documentos do caso Siemens. O governo reconhece que sem esses documentos o trabalho do colegiado de entidades fica fragilizado.

"Ficamos sem saber se há documentação relevante que não foi divulgada na imprensa", disse Ungaro.

O governador Geraldo Alckmin fez um discurso, mas não respondeu perguntas dos jornalistas. Em sua fala, fez uma referência indireta ao Cade ao dizer que o governo quer "transparência total" e não "transparência parcial ou enviesada". Reservadamente, representantes das entidades convocadas às pressas pelo governador dizem duvidar do sucesso da iniciativa.

O Corregedor-geral será o interlocutor entre o governo do Estado e os representantes das entidades civis. Entre elas estão a OAB-SP, Instituto Transparência Brasil e o Instituto Ethos.

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