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'Não é por baixa popularidade que se retira uma presidente do poder', diz Wagner no Twitter

Ministro-chefe da Casa Civil usou redes sociais para reforçar a defesa do mandato de Dilma; as citações à petista em delação de Nestor Cerveró na Lava Jato preocuparam o Planalto

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Carla Araújo,
O Estado de S.Paulo

13 Janeiro 2016 | 14h41

BRASÍLIA - Em meio à análise do processo de impeachment e com a popularidade da presidente Dilma Rousseff em patamares baixos, o ministro da Casa Civil, Jaques Wagner, usou as redes sociais nesta quarta-feira, 13, para reforçar a defesa do mandato da presidente. "Não é por conta de baixa popularidade que se retira uma presidente do poder", escreveu.

A presidente Dilma foi citada na delação do ex-diretor da Petrobrás Nestor Cerveró e deixou em alerta o Palácio do Planalto, que teme a influência das denúncias no processo de impeachment da presidente. Cerveró, ex-diretor da área Internacional da Petrobrás, declarou à Procuradoria-Geral da República ter ouvido do senador Fernando Collor (PTB-AL) menção à presidente Dilma Rousseff. Segundo ele, em setembro de 2013, Collor afirmou que suas negociações para indicar cargos de chefia na BR Distribuidora, subsidiária da Petrobrás haviam sido conduzidas diretamente por Dilma.

 

Também nesta quarta, a defesa do PSDB anunciou que pretende pedir ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a inclusão da delação premiada de Cerveró em três ações que podem levar a Corte a cassar a chapa da petista e do vice-presidente Michel Temer. Os tucanos discutem, ainda, se vão querer o depoimento do próprio ex-diretor para instruir as ações do TSE.

Em suas mensagens nas redes sociais, Jaques Wagner afirmou que a oposição tem o direito de fazer críticas e de "divergir da maneira como governamos o país. Isso faz parte da democracia e é saudável que assim seja. Mas a democracia também pressupõe o respeito à vontade do povo, que foi às urnas em 2014 e reelegeu Dilma por mais quatro anos", escreveu. 

Investigações. O ministro também foi citado por Cerveró, que disse que o Wagner recebeu recursos desviados da estatal na campanha de 2006. O envolvimento do nome dele na Lava Jato apareceu com a divulgação de mensagens interceptadas pela força-tafea, e reveladas pelo Estado, que indicaram a proximidade de Wagner com o ex-presidente da empreiteira OAS José Adelmário Pinheiro Filho, conhecido como Léo Pinheiro, um dos condenados por participação no esquema de corrupção da Petrobrás. O conteaúdo vai desde negociação de apoio financeiro ao candidato do PT à Prefeitura de Salvador em 2012, Nelson Pellegrino, a pedidos de intermediação de Wagner, então governador da Bahia, com o Planalto para favorecer empresários.

O ministro, que nega qualquer ato ilícito, deve ser convocado para prestar esclarecimentos na CPI dos Fundos de Pensão assim que os trabalhos legislativos recomeçarem, no início de fevereiro, já que as mensagens telefônicas apontam a suspeita na atuação de Wagner na Funcef (Fundação dos Economiários Federais) - fundo de pensão dos funcionários da Caixa Econômica Federal - para favorecer a empreiteira OAS.

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