André Dusek/Estadão
André Dusek/Estadão

'Não é comigo', diz Cunha sobre esvaziamento de sessão do Congresso

Presidente da Câmara nega ter atuado para que deputados deixassem de garantir quórum mínimo para apreciação de vetos

Daniel Carvalho, Carla Araújo, Isabela Bonfim e Ricardo Brito, O Estado de S. Paulo

07 Outubro 2015 | 14h01

BRASÍLIA - O presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), se esquivou de responsabilidade pelo esvaziamento da sessão do Congresso que apreciaria uma série de vetos presidenciais nesta quarta-feira, 7. "É Congresso. Não é comigo. Não me cabe comentar. A oposição está fazendo o papel dela e a base tem que administrar", afirmou Cunha, antes de o presidente do Congresso, Renan Calheiros (PMDB-AL), que também comanda o Senado, encerrar a sessão.

Os deputados repetiram a estratégia do dia anterior e, mais uma vez, esvaziaram a sessão do Congresso, adiando novamente a apreciação de vetos presidenciais. Compareceram apenas 223 dos 513 deputados. Para garantir a votação era necessário um mínimo de 257 deputados. Dos 81 senadores, 68 compareceram. Era preciso 41. A sessão foi encerrada às 13h17. Sete minutos depois, a sessão da Câmara foi aberta registrando presença de 428 deputados.

"Sou o presidente da Câmara, não sou o dono da Câmara. Nem sempre a Câmara faz aquilo que eu desejo. Às vezes os desejos coincidem, o que eu penso e o que eles executam. Mas eu não posso me responsabilizar", disse Cunha.

O peemedebista afirmou ainda que interferiu na programação da TV Câmara pedindo que eles não transmitissem o julgamento das contas da presidente Dilma Rousseff hoje no Tribunal de Contas da União (TCU), como os responsáveis pela TV cogitaram. "Pedi que não fizessem, foi a primeira vez que eu interferi porque estava dando uma conotação política, como se eu tivesse determinado que fosse feita uma cobertura", disse, ressaltando que antes não tinha tomado conhecimento da "cobertura jornalística" que a TV da Casa pretendia fazer. Ontem, em plenário, o líder do PT no Senado, Humberto Costa (PE), disse que a TV Câmara iria transmitir o julgamento das contas ao vivo.

"É que tudo que acontece vocês me culpam, se tem sessão eu sou culpado, se não tem eu sou culpado, se fez isso, eu sou culpado. Qualquer coisa eu sou culpado e eu ia ser culpado por isso também", ironizou Cunha.

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