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'Não dá pra acreditar em papo de solidariedade de Mercadante', afirma assessor de Delcídio

- Atualizado: 16 Março 2016 | 11h 02

Em entrevista à 'rádio Estadão', José Eduardo Marzagão diz que só pode interpretar como 'missão' conversa chamada por ministro em gabinete na Esplanada

José Eduardo Marzagão, assessor do senador Delcídio Amaral (ex-PT-MS) que gravou conversa com o ministro Aloizio Mercadante (Educação) incluída na delação premiada do parlamentar na Operação Lava jato, disse nesta quarta-feira, 16, em entrevista à rádio Estadão que "não tem como acreditar em papo de solidariedade". Após a divulgação do teor das conversas, ocorridas em dezembro, quando o ex-líder do governo Dilma Rousseff estava preso, Mercadante alegou que procurou Marzagão por iniciativa "pessoal" para dar apoio ao ex-colega de bancada no Senado. "Não é novidade para ninguém que eles não têm boa relação, eram desafetos", afirmou o assessor.

Para Marzagão, Mercadante o procurou como se estivesse em uma "missão" envolvendo o governo - o Palácio do Planalto negou envolvimento com o caso em nota emitida ontem. "Não vejo outra maneira de entender isso. Uma pessoa que é conhecida por todos em Brasília como instransigente, arrogante, além de desafeto do senador Delcídio, me chamar no gabinete de ministro de Estado, sendo uma pessoa de confiança da presidente, não tem como acreditar em papo de solidariedade", disse o assessor do parlamentar. "Ele estava exercendo missão. É o que eu posso deduzir."

Assessor de Delcídio, José Eduardo Marzagão dirige carro que levou Delcídio da prisão

Assessor de Delcídio, José Eduardo Marzagão dirige carro que levou Delcídio da prisão

O assessor rebateu Mercadante ao negar ter "conduzido" a conversa, como se houvesse premeditação para comprometer o ministro da Educação. "É só pegar a transcrição e o áudio da conversa. Dos 100%, eu falo 10%. Não induzi absolutamente nada", afirmou Marzagão. "Ele falou comigo porque eu conheço a secretária dele desde a CPMI dos Correios (que investigou o escândalo do mensalão, em 2005)", contou. "Desde essa época ele (Mercadante) tinha problemas de relacionamento com o senador Delcídio, que era o presidente da CPMI."

Marzagão considera que a delação de Delcídio, homologada na segunda-feira pelo ministro do Supremo Tribunal Federal Teori Zavascki, pode ser um "catalizador" para um desfecho da atual crise política do País. "Ele sedimenta essa situação que já estava posta. Por outro lado, abrevia qualquer solução que tivesse que ser tomada", disse. O assessor, que trabalha com Delcídio desde 2004 e disse não ser filiado a nenhum partido, admitiu ter receio por sua segurança. "As coisas no Brasil estão de uma forma que a gente tem que procurar se resguardar além do normal. Confesso que eu fico um pouco temeroso."

 

Em depoimento ao MPF, o senador conta como Mercadante se aproximou para oferecer dinheiro e ajuda em troca de Delcídio não fazer a delação premiada:

 

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