‘Não conheço nem os nomes nem a entidade’, diz Padilha

Em entrevista coletiva,ministro repetiu várias vezes que não assinou a declaração que atesta a idoneidade do Inbrasil

Leonencio Nossa , de O Estado de S.Paulo,

10 Dezembro 2010 | 23h01

BRASÍLIA - Em entrevista coletiva, o ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, afirmou nesta sexta-feira, 10, que cabe ao Ministério do Turismo esclarecer a aprovação de convênios de R$ 3,1 milhões chancelados por um documento com sua assinatura usado por um instituto fantasma. Ele repetiu várias vezes que não assinou a declaração que atesta a idoneidade do Instituto Brasil de Arte, Cultura e Lazer (Inbrasil), entidade que conseguiu a liberação da verba.

 

Padilha sustentou desconhecer os representantes do Inbrasil, que conseguiu a liberação da verba no Ministério do Turismo utilizando o documento com sua assinatura. "Não conheço, não conheço. Nem os nomes que o senhor citou nem a entidade", disse. "Estou indignado em relação ao documento. Sou a pessoa mais interessada em esclarecer esse episódio."

 

Padilha afirmou que o governo trabalha com "rigor" para evitar desvios de recursos e fraudes nas verbas dos ministérios. "Este é um governo que apura não só as denúncias como aprimora a máquina pública para evitar desvios de recursos", disse. "É preciso deixar claro que eu não encaminhei, eu não enviei esse documento que foi montado."

 

Depois de garantir que sua equipe trabalha de "forma rigorosa", Padilha foi questionado sobre os processos de segurança e fiscalização do governo - que, no episódio do Inbrasil, autorizou a liberação de recursos levando em conta um documento que, segundo o próprio ministro, apresenta "evidente montagem". "Acho que vocês devem procurar o Ministério do Turismo para ver a finalidade do documento lá, quando foi apresentado", respondeu, com o cuidado de não deixar explícitas críticas a colegas de governo. "O que eu declarei ontem ao Ministério do Turismo é que não assinei o documento."

 

O ministro ressaltou que a declaração "destoa completamente do padrão de documentos" que assina e saem de seu gabinete. "Quero saber quem fraudou e montou um documento com assinatura de um ministro de Estado", disse. "Minha assinatura é disponibilizada na rede mundial de computadores."

 

Ele disse não se lembrar do telefonema da ex-assessora Crisley Lins, que afirmou ao Estado ter entrado em contato com ele para pedir a assinatura atestando a idoneidade da Inbrasil. "Eu não assinei essa declaração. Eu não me lembro se houve ou não houve (a ligação), quem deve mostrar se houve não sou eu, não lembro da ligação", afirmou. "O que ela relata no jornal é um procedimento absolutamente padrão. Ela solicita uma assinatura e o que ela disse é que eu retorno a ligação para que encaminhe ao gabinete, para ver que documento é."

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