André Dusek/AE
André Dusek/AE

Na presença de Lula, alunos protestam em ato na UnB

Presidente foi recebido sob gritos chamando-o de demagogo em reclamação pela demora da construção da Casa do Estudante e de outras instalações

LEONÊNCIO NOSSA, Agência Estado

06 Dezembro 2010 | 17h45

A visita do presidente ao Campus da Universidade de Brasília (UnB) na tarde desta segunda-feira, 6, foi marcada por intensos protestos de estudantes que reclamaram da demora na construção da Casa do Estudante e de outras instalações na UnB. Lula esteve no campus para inaugurar o memorial Darcy Ribeiro, primeiro reitor da instituição, na década de 1960. Além da Casa do Estudante, os alunos pediam obras no Hospital Universitário (HUB).

Enquanto Lula discursava, alguns estudantes gritavam "demagogo, demagogo, demagogo". Mas o principal alvo dos estudantes era o atual reitor da UnB, José Geraldo de Sousa Junior. Foi a partir do momento em que José Geraldo começou o seu discurso que os estudantes deram os primeiros gritos.

Lula participou da cerimônia na companhia do presidente uruguaio, José Mojica, e do ministro da Cultura, Juca de Oliveira. Um grupo de estudantes e servidores da UnB que estavam mais próximos ao palco, entretanto, aplaudiu o presidente e chegou a cantar o tradicional "olê, olê, olá, Lula!"

Em seu discurso, Lula destacou que o memorial guardará objetos, livros e documentos do antropólogo (1922-1997) e de sua primeira mulher, a também antropóloga Berta Ribeiro (1924-1997. "O beijódromo, com esse nome pitoresco, reflete o lado humano de Darcy Ribeiro", disse o presidente, referindo-se ao apelido que o próprio ex-reitor deu ao projeto do memorial feito pelo arquiteto Lelé Filgueiras. "Darcy faz muita falta com sua alegria de viver, capacidade de realização e disposição de arregaçar as mangas e lutar", afirmou Lula.

Sob sol intenso, os estudantes ergueram uma faixa com a inscrição "beijódromo em 5 meses, mas nova casa do estudante não sai do papel". Os alunos também gritaram "UnB sucateada" no momento do discurso de Lula. Os manifestantes gritaram palavras de ordem mesmo no momento em que se apresentava a Orquestra de Rabecas de Montes Claros (MG), cidade natal de Darcy Ribeiro.

Lula, ao contrário do que costuma fazer, não falou de improviso, mas leu um discurso preparado antecipadamente. O colega uruguaio, José Mojica, amigo de Darcy, lembrou do tempo de exílio do intelectual brasileiro em Montevidéu nos anos 1960 e de sua dedicação à cultura dos índios brasileiros. Um grupo de estudantes ligados ao PSTU teve mais dificuldades de entrar na área cercada, reservada à plateia. O grupo, no entanto, faz batucada e engrossou o coro que cobrava obras na universidade.

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