Geraldo Magela/Agência Senado
Geraldo Magela/Agência Senado

Na oposição, PT demonstra ‘acomodação’

Após seis meses do impeachment e de 13 anos no poder, atuação da sigla é vista como ‘letárgica’

O Estado de S.Paulo

11 Dezembro 2016 | 05h00

Afundado em debates e disputas internas sobre como salvar o que restou do partido depois do impeachment de Dilma Rousseff, da Operação Lava Jato e da derrota nas eleições municipais, o PT tem demonstrado uma espécie de letargia na oposição ao governo Michel Temer. 

Para lideranças petistas, o episódio envolvendo o senador Jorge Viana (PT-AC), vice-presidente do Senado, na semana passada evidenciou o descompasso e a falta de unidade no PT. Viana atuou para a permanência do presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL), após a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Marco Aurélio Mello de afastá-lo, a pedido da Rede. 

Enquanto o senador Lindbergh Farias (PT-RJ) declarava nos corredores do Senado que Viana deveria enterrar a PEC do Teto dos Gastos, prevista para ser votada nesta terça-feira, o senador acriano, por conta própria, participava da operação para salvar Renan. 

A atuação de Viana dividiu opiniões no PT. “Era um problema do Temer. Não temos que ser bombeiro de ninguém”, disse o líder do PT na Câmara, Afonso Florence (PT-BA).

Para ele, passados apenas seis meses do impeachment, depois de 13 anos no governo, o PT ainda não se adaptou ao papel de oposição. “O PT ainda precisa se organizar na oposição”, admitiu Florence. 

Gleide Andrade, uma das vice-presidentes do PT, sintetizou a situação do partido que se divide entre juntar os cacos e liderar a oposição a Temer. “O PT está tendo que assobiar e andar de bicicleta”, disse ela. 

‘Desconexão’. O caso envolvendo Viana e Renan não é o único. Petistas citam a divisão da bancada do partido na Câmara durante a votação das 10 medidas contra a corrupção e a demora de três dias dos deputados petistas para divulgar nota sobre o assunto. 

“Tem uma desconexão total na atuação do partido. Hoje um cara entra de um lado e outro de outro. Existe uma ausência de direção”, disse o secretário municipal de Saúde de São Paulo, Alexandre Padilha. 

O presidente nacional do PT, Rui Falcão, comunicou à cúpula da sigla em outubro que aceita encurtar seu mandato para que o partido faça uma repactuação. Alguns petistas avaliam que isso enfraqueceu a direção. 

Para outros, o que existe é uma acomodação de parte das bancadas na Câmara e no Senado que, acostumadas às benesses do governo, desaprendeu a fazer oposição. 

“Tem uma parte do PT que está muito acomodada e ainda não se ligou sobre a necessidade de fazer uma oposição combativa”, disse Lindbergh. 

Congresso. O partido avalia que esta situação deve durar pelo menos mais seis meses, até o Congresso Nacional do PT, que vai eleger a nova direção e definir o novo programa da legenda, evento agendado para maio do ano que vem.

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