EFE/Joedson Alves
EFE/Joedson Alves

Na denúncia, rede social tem menos de 1/3 de interações do impeachment

Twitter registra menos postagens na votação de Temer se comparado ao julgamento de Dilma

Elisa Clavery, O Estado de S.Paulo

07 Agosto 2017 | 11h20

Enquanto a Câmara dos Deputados votava o arquivamento da denúncia por corrupção passiva contra o presidente Michel Temer, na última quarta-feira, 2, mais de um milhão de postagens foram feitas pelo Twitter. O número, embora alto, não representa nem um terço da participação na rede social à época da votação do impeachment da presidente cassada Dilma Rousseff, quando 3,5 milhões de mensagens foram publicadas. Se nas ruas praticamente não foram registrados protestos, no microblog também ficou claro o encolhimento das manifestações.

“O impeachment teve uma presença maior, não tem comparação”, disse o professor da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) e coordenador do Laboratório de Estudos sobre Imagem e Cibercultura (Labic), Fábio Malini. “Os perfis mais inclinados à direita ficaram restritos a compartilhar matérias da imprensa, em vez de efetivamente repercutir o tema. Acho que houve uma estratégia política de não se posicionar.”

O comportamento discreto foi comparado à votação no plenário, em que muitos deputados que votaram a favor do presidente passaram pouco tempo no microfone. “Houve a tentativa de se esconder”, disse Malini, que destacou, porém, uma posição ambígua da direita. “A rede do (deputado federal Jair) Bolsonaro, por exemplo, teve um posicionamento contra o Temer.”

O levantamento foi feito entre as 23h50 de terça-feira, véspera da votação, e as 10 horas de quinta-feira por meio de um filtro que usou termos ligados à denúncia. O professor incluiu, ainda, o comportamento de perfis ligados à esquerda.

Com o perfil mais focado no discurso “fora, Temer”, esse espectro representou 23,83% das interações, segundo a pesquisa. Já a direita, que priorizou o compartilhamento de reportagens, teve 12,17%. O restante do porcentual pode abranger tuítes da própria mídia ou comentários a favor de Temer, por exemplo.

Escracho. Malini destacou que a maior parte das interações – cerca de 53% – veio em formato de escrachos, isto é, piadas com o Congresso enquanto se analisava a admissibilidade da denúncia feita pela Procuradoria-Geral da República (PGR) contra o presidente. “É a maneira como as pessoas fazem críticas na internet, demonstram a indignação por meio de um Brasil de humor, da crítica ácida. O fato é que os protagonistas dos comentários não eram do mundo da política.”

Citações. O pico de interações se deu entre 18h01 e 19 horas, com 236.534 tuítes, hora em que o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), abriu a votação. A palavra “Temer” foi a grande campeã de menções, seguida pelos termos “corrupção”, “vergonha”, “estabilidade”, “arquivamento” e “Dilma”. A presidente cassada foi a segunda colocada em citações de políticos.

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