Janaína Cesar/Estadão
Janaína Cesar/Estadão

Mulher de Pizzolato faz último apelo para tentar evitar extradição

Andrea Haas enviou carta ao ministro da Justiça italiano Andrea Orlando em que alega que passará por revista vexatória na Papuda para visitar o marido

Janaina Cesar, especial para O Estado, O Estado de S. Paulo

21 Outubro 2015 | 19h02

Roma - Após 1 ano e 7 meses, a história da extradição de Henrique Pizzolato chega a seu capítulo final, com sua volta ao Brasil marcada para esta quinta-feira, 22. Mas, mesmo assim, Andrea Haas, esposa de Pizzolato, faz um último apelo na tentativa de evitar a extradição do condenando no processo do mensalão ao Brasil. Ela enviou carta ao ministro da Justiça italiano Andrea Orlando em que alega que passará por revista vexatória na Papuda para visitar o marido. 

A extradição de Pizzolato estava marcada para o dia 7 de outubro, mas por causa de pressões políticas, o ministro Orlando mudou a data para amanhã. Três agentes da Polícia Federal já estão em Milão aguardando para receber o ex-diretor de marketing do Banco do Brasil. Eles vieram acompanhados por uma enfermeira. 

Segundo fontes da PF, Pizzolato chegará no aeroporto de Malpensa por volta das 17h. Ele será acompanhado à sala da polícia judiciária que fica no terminal 1, onde aguardará até que o seu check-in no voo da TAM Milão/São Paulo seja feito pelos policiais. Ao passar pela alfândega, será acompanhado a outra sala reservada, onde ficará até o momento do embarque, previsto para às 21h10.

Na carta, Andrea não fala de Pizzolato, mas questiona a consequência que a decisão do ministro (de conceder a extradição) terá na vida dela. "Decidi não falar sobre o calvário judicial do meu marido, mas sobre mim, sobre o medo que tenho pela minha segurança." Ela menciona o fato de que, na Papuda, é consentida a revista íntima e não mede palavras para explicar o que significa. "No cárcere de Papuda, para onde o governo brasileiro e o seu governo estão mandando meu marido, ainda é consentida a revista vexatória, que consiste na obrigação para as visitantes - incluindo as mulheres mais velhas, pessoas com deficiência e adolescentes - de se despir, curvar-se e mostrar o ânus e a vagina para que os guardas prisionais possam inspecioná-los para ver se escondem objetos ilícitos", diz. Andrea lembra que ela será revistada mesmo que Pizzolato fique preso na "Ala de vulneráveis".

 

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