Ueslei Marcelino|Reuters
Ueslei Marcelino|Reuters

Mulher de Marun troca mensagem com homem que clonou celular do ministro

'Eu não vou ser preso. Eu já estou preso', respondeu o bandido a Luciane Garcia Marun

Carla Araújo e Felipe Frazão, O Estado de S.Paulo

27 Março 2018 | 22h34

BRASÍLIA - A mulher do ministro da Secretaria de Governo, Carlos Marun - que teve seu celular clonado no último dia 14 - alertou participantes de um grupo de WhatsApp que o ministro estava sendo alvo de um golpe. Luciane Garcia Marun foi surpreendida com a resposta do suposto clonador: "Eu não vou ser preso. Eu já estou preso", escreveu o bandido.

Antes, pelo número do celular do ministro, ele havia enviado uma pergunta aos participantes: "Alguém usa Banco do Brasil pelo aplicativo do celular ou computador?" No que Luciane retrucou: "Esse FDP clonou o telefone de Marun. Não respondam que é golpe, mas não se preocupem porque ele já foi identificado e será preso", escreveu.

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Marun chegou a relatar para auxiliares ter sido alvo de pedidos de suborno do criminoso. Ele disse ao ministro que estava sem dinheiro e precisava de R$ 3 mil. O ministro, no entanto, não detalhou de que forma o bandido fez contato.

Todas as conversas dos aparelhos celulares já foram enviadas para a Polícia Federal, que está investigando o caso. Também foram clonados os celulares dos ministros Osmar Terra (Desenvolvimento Social) e Eliseu Padilha (Casa Civil).

A operadora de telefonia que atende aos três ministros é a mesma e pelo menos um deles já prometeu processar a empresa. Nos três casos, a mensagem enviada aos contatos era exatamente a mesma.

Segurança falha

A Agência Brasileira de Inteligência (ABIN) disponibiliza telefones mais seguros para uso dos ministros. A agência desenvolveu um software compatível com sistema Android que criptografa mensagens e conversas.

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Estado questionou o órgão sobre quais ministros usam celular funcional com proteção e se a agência auxilia no monitoramento e busca de informações sobre a clonagem dos ministros. Mas a ABIN não quis se manifestar sobre o caso.

Conforme dados da Anatel, a clonagem é mais comum quando a linha é usada fora da área de origem, em "roaming" e leva mais tempo para ser descoberta. A clonagem ocorre por meio de monitoramento ilegal de um celular habilitado.

Ataques

O primeiro a relatar ter sido alvo de clonagem foi Marun. Desde o dia 14 de março, quem trocava mensagens com o ministro recebia de volta um pedido de "um favor" seguido da pergunta se o contato possuía conta do Banco do Brasil.

Segundo Marun, um amigo pessoal "se dispôs a fazer um depósito e a conta já estava bloqueada para recebimento de valores". Questionado nesta segunda-feira, 26, sobre o andamento das investigações, Marun afirmou não ter detalhes.

O ministro Terra só enviou mensagens aos seus contatos informando sobre a clonagem no último dia 21. Segundo sua assessoria, o ministro registrou ocorrência na Superintendência Regional da Polícia Federal do Distrito Federal no dia 13 de março sobre a clonagem de seu aparelho celular.

"Membros de um grupo do whatsApp desconfiaram da mensagem supostamente enviada pelo ministro e avisaram o gabinete. Na ocorrência feita à PF foi informado que um dos contatos do ministro fez uma transferência bancária para a conta indicada", explicou a assessoria de Terra.

O ministro do Desenvolvimento admitiu que não usa sistema de proteção em seu celular e que vai acionar judicialmente a empresa de telefonia. "A operadora, quando informada do ocorrido, fez a troca do chip", explicou.

Dupla clonagem 

O caso mais recente foi com o ministro da Casa Civil. Padilha teve clonado o seu número celular pessoal supostamente por duas vezes. Na última sexta-feira, Padilha enviou aos seu contatos a seguinte mensagem:

"Atenção: este meu celular foi clonado e soube que estão fazendo pedidos indevidos em meu nome. Não atendas nem mandes mensagens para este número. Vou tratar de responsabilizar criminalmente o clonador", escreveu Padilha.

Nesta segunda-feira, Padilha foi colocar um novo chip no aparelho e percebeu que havia sido clonadonovamente, já que alguns contatos relataram mais uma vez o pedido de dinheiro.

Segundo a assessoria do ministro, depois do ocorrido, Padilha pediu ao diretor-geral da PF, Rogério Galloro, que fossem adotadas medidas cabíveis e agora aguarda o andamento das investigações.

O ministro Blairo Maggi (Agricultura) foi uma das autoridades que recebeu a mensagem do clonador do número de Eliseu Padilha e fez o alerta ao ministro.

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