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MST protesta em Brasília contra 'estagnação' da reforma agrária

Erich Decat - Agência Estado

12 Fevereiro 2014 | 17h 23

Grupo toma parte da Praça dos Três Poderes e entrega documento com reivindicações ao secretário-geral da Presidência, Gilberto Carvalho

Brasília - Integrantes do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra entraram em confronto com a polícia na tarde desta quarta-feira, 12, na Praça dos Três Poderes, em Brasília, durante protesto pelo o que eles chamam de 'estagnação' da reforma agrária durante o governo Dilma Rousseff. A confusão provocou a suspensão, por mais de meia hora, de sessão do Supremo Tribunal Federal por risco de invasão. 

Com faixas e gritos de guerra "Dilma cadê a reforma agrária?" ou "Dilma ruralista", representantes do movimento, que participam do VI Congresso Nacional do MST, entregaram um documento ao secretário-geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho. A entrega do documento seria feita em uma audiência no gabinete do ministro, mas, após um início de tumulto em que foram derrubadas algumas grades na Praça, o encontro ocorreu em uma das vias de acesso ao Palácio do Planalto.

"Nós tínhamos uma sala reservada para recebê-los, mas eles preferiram que nós descêssemos aqui. Tínhamos combinado ontem que tudo seria tranquilo, eles viriam se posicionariam na Praça, mas o que acontece é muito comum, vem uma molecada e empurra a grade. Você tem o risco de invasão do Planalto e aqui tem uma lei clara que ninguém pode obstruir a via muito menos adentrar o Palácio que é um símbolo do País", disse Carvalho após encontro com representantes do movimento.

"Recebi agora (o documento), vamos dar ciência à presidenta. Segundo eles, são reivindicações que o governo já teria assumido e não teria cumprido, mas eu ainda não li o texto", afirmou o ministro. Segundo Carvalho, está previsto um encontro entre líderes do movimento com a presidente Dilma nesta quinta-feira, 13. 

Durante a manifestação, a  presidente não estava no Palácio do Planalto mas no Palácio do Alvorada, segundo Carvalho.

Presente nas manifestações, Kelly Mafort, integrante da direção nacional do MST, explicou os motivos dos protestos. "Nós viemos para cá para poder entregar um manifesto para a presidente Dilma porque a reforma agrária está paralisada. No ano passado apenas sete mil famílias foram assentadas pelo processo de desapropriação. Do MST são 90 mil famílias acampadas. Estamos aqui numa luta. Nossa luta é pacífica. Quem mostra despreparo é a PM que nos recebeu com gás lacrimogêneo, e pimenta e bombas", afirmou.