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MST protesta contra Planalto e Supremo; conflito deixa 32 feridos

Erich Decat e Leonêncio Nossa - O Estado de S. Paulo

12 Fevereiro 2014 | 18h 11

Marcha em Brasília reuniu 15 mil pessoas; grupo rompeu grades do palácio e confusão parou sessão do Supremo

Brasília (atualizado às 23:16) - Uma marcha do Movimento dos Sem Terra (MST) realizada em Brasília nesta quarta-feira, 12, acabou em pancadaria na Praça dos Três Poderes, interrompeu a sessão no Supremo Tribunal Federal e levou a presidente Dilma Rousseff a agendar para esta quarta um encontro com seus integrantes no Palácio do Planalto.

O ato, segundo a Polícia Militar, reuniu cerca de 15 mil pessoas na Esplanada dos Ministérios. Ao todo, 30 policiais e 2 sem-terra ficaram feridos. De acordo com a PM, 8 policiais sofreram ferimentos graves e um militante do movimento foi detido.

Os manifestantes, que participam nesta semana do 6º Congresso Nacional do MST, na capital federal, reclamavam da "estagnação" da reforma agrária no País e gritavam palavras de ordem como "Dilma cadê a reforma agrária?" e "Dilma ruralista". Também seguravam faixas com os dizeres: "1.600 camponeses mortos", "Mensalão, julgamento de exceção", "STF, crime é condenar sem provas" e "Cadê o julgamento dos tucanos?". Foram registrados protestos também contra o uso de agrotóxicos e a espionagem americana.

Os sem-terra saíram no início da tarde do estádio Mané Garrincha e percorreram um percurso de cinco quilômetros até a Esplanada. O objetivo da marcha era entregar ao secretário-geral da Presidência, ministro Gilberto Carvalho, um documento com os compromissos feitos pelo governo para a reforma agrária e que, segundo eles, não foram cumpridos.

Mas a entrega não foi tranquila. O tumulto começou quando um grupo de pessoas que estava na marcha e policiais trocaram empurrões. Durante o conflito, a polícia chegou a usar bombas de efeito moral, gás lacrimogêneo e balas de borracha. Já os militantes jogaram cruzes de madeira que portavam durante a marcha e pedras.

Em um segundo momento de tensão, um grupo de manifestantes derrubou grades instaladas em frente ao Planalto e arremessaram parte dos objetos e tonéis de plástico nos policiais. Com uso de gás de pimenta, os militares conseguiram fazer o grupo recuar.

A confusão levou o vice-presidente do STF, Ricardo Lewandowski, a suspender a sessão plenária de julgamentos. Por volta das 16h, ele anunciou que a segurança da Corte havia alertado que havia risco de invasão ao prédio. Do lado de fora da Corte, manifestantes derrubaram grades que isolavam o edifício. Seguranças e policiais, então, fizeram um cordão de isolamento para tentar impedir a invasão do tribunal.

Gilberto Carvalho acabou tendo de receber o documento em uma das vias de acesso ao Palácio do Planalto. Ele disse, após o tumulto, que a presidente Dilma Rousseff deve ter um encontro com líderes do MST hoje às 9h. No momento das manifestações, ela não estava no Palácio do Planalto, mas no Palácio da Alvorada, residência oficial da presidente. "Você tem o risco de invasão do Planalto e aqui tem uma lei clara que ninguém pode nem obstruir a via muito menos adentrar o Palácio que é um símbolo do País", disse Carvalho.

O comandante da unidade da PM-DF, coronel Cesar, disse que um grupo de pessoas começou a agredir os policiais após derrubar uma grade que impedia o acesso à Praça dos Três Poderes. Ele ordenou que o grupamento de choque resgatassem 15 policiais que estavam sendo agredidos. No tumulto, um policial disparou um tiro para o alto.

O coronel disse não ser possível afirmar que o grupo que começou a agressão era de infiltrados ou do próprio movimento e que em nenhum momento a polícia interferiu na logística e no trajeto desenhado pelo MST. Segundo ele, os policiais feridos sofreram cortes na boca, no nariz e na cabeça. Segundo a PM, eles foram atingidos por pedras, pedaços de pau e barras de ferro e foram encaminhados ao Hospital de Base. Um dos policiais foi atingido por um rojão nas nádegas. Um militante foi detido.

‘Reforma paralisada’. Pela versão de João Paulo Rodrigues, da direção do MST, o confronto ocorreu porque alguns militantes sem-terra tentaram se dirigir a um ônibus para buscar as cruzes, que seriam utilizadas em um ato de protesto em frente ao Palácio do Planalto.

Outro dirigente do MST, Kelly Mafort, explicou os motivos dos protestos. "Viemos entregar um manifesto para a presidente Dilma porque a reforma agrária está paralisada. No ano passado apenas sete mil famílias foram assentadas. Do MST são 90 mil famílias acampadas."