MST fará mais pressão sobre o governo Lula, diz líder

Para Gilmar Mauro, essa é uma forma de conseguir avanço na reforma agrária

Agencia Estado

15 Junho 2007 | 02h40

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva será "mais pressionado" pelo Movimento dos Sem-Terra (MST) no final do seu governo do que foi até agora, disse nesta quarta-feira, 13, o dirigente nacional Gilmar Mauro, durante o 5º Congresso Nacional, em Brasília. É a forma, segundo o líder, de conseguir algum avanço na reforma agrária ainda no atual governo. Apesar das críticas do MST ao governo, o senador Eduardo Suplicy (PT) pediu diálogo com o presidente Lula e foi aplaudido pelos sem-terra que lotavam o ginásio Nilson Nelson. "Que possa o governo Lula realizar um governo de acordo com os anseios de vocês", disse. O senador elogiou editorial do Estadão publicado na terça sobre a capacidade de organização do MST. O elogio do presidente aos usineiros, que chamou de heróis, foi a gota d´água. Para o MST, a cana representa a monocultura que prejudica solo, água e biodiversidade, e explora o trabalhador rural. "Não há como não se dar conta disso", disse Mauro. O governo Lula, segundo o líder, não teve coragem de enfrentar o latifúndio e aderiu à política neoliberal. "Ele se afastou do compromisso com a reforma agrária." Criticando a "baixa produtividade dos fazendeiros", o líder do MST disse que toda a exportação brasileira de carne bovina tem valor equivalente às exportações de uma única empresa, a Embraer, de São José dos Campos (SP). "Tanta terra sendo usada para isso", criticou. O movimento quer, de imediato, a retomada dos assentamentos e a mudança nos índices de produtividade para ampliar a desapropriação de terras pouco produtivas. Também pretende apressar a discussão sobre a limitação no tamanho da propriedade e a compra de terras por grupos estrangeiros. A pressão será feita através de marchas e invasões. "A ocupação é a forma de luta mais contundente." Ao mesmo tempo, o MST planeja "abrir o diálogo" com a sociedade sobre a nova reforma agrária. O novo modelo prevê a produção de alimentos saudáveis, com interação entre o ser humano e o ambiente. As agrovilas ficarão perto de centros urbanos para abastecer as cidades. Os assentamentos poderão produzir cana e biodiesel, mas para pequenas agroindústrias gerenciadas pelos agricultores. "Não queremos ser agregados de grandes empresas." O modelo já foi apresentado ao governo, segundo Mauro. Hoje, deve ser divulgada a carta do encontro com os novos conceitos. O texto entrou em debate ontem nas reuniões de grupos do movimento. Marcha ao Palácio do Planalto Está previsto para esta quinta-feira,uma marcha dos 18 mil sem-terra que estão no local até a frente do Palácio do Planalto. "A conquista vai ser do povo organizado em luta e da pressão, não do compadrio e da amizade. Se não for assim, de lá (governo) não vai sair muita coisa", disse Mauro. O movimento avalia que o presidente, após a reeleição, se afastou dos movimentos sociais e firmou alianças com o agronegócio, principal inimigo dos sem-terra. Na passagem pelo Itamaraty, os sem-terra vão pedir a retirada das tropas brasileiras do Haiti e no Superior Tribunal de Justiça (STJ), a anulação da privatização da Companhia Vale do Rio Doce. A concentração na frente do Palácio do Planalto acontecerá por volta das 16 horas, independente da presença do presidente, já que Lula tem compromissos no Rio de Janeiro. A passeata é um protesto contra a lentidão dos três poderes na reforma agrária. Segundo o MST, 140 mil sem-terra que estão acampados em todo País. Estão confirmadas as presenças de Eduardo Campos (PE), José Roberto Arruda (DF) e Jackson Lago (MA), além dos vices Paulo Otávio (DF) e Francisco Pinheiro (CE). O governador da Bahia, Jacques Vagner (PT), se antecipou e já esteve no congresso. À tarde, a marcha deixa o acampamento e segue para a Embaixada dos Estados Unidos, onde haverá um protesto.

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