MST denuncia ação de pistoleiros em desocupações em PE

Após realizarem 15 ocupações de terra ao longo da última semana, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) em Pernambuco, denunciou, neste sábado, 21, que famílias integrantes do movimento teriam sido vítimas de duas supostas ações ilegais e violentas de despejo. De acordo com a assessoria de imprensa do MST pernambucano, as ações teriam acontecido nas cidades de Xexéu, na Zona da Mata e em Salgueiro, no sertão do Estado. Os sem-terra acusam fazendeiros e policiais civis de ameaçarem e atirarem contra os acampados. A primeira ação, segundo a coordenação estadual do MST, teria acontecido na noite da última sexta-feira, 20, na Fazenda Saco da Lagoa, em Salgueiro - ocupada desde o último dia 17 de abril, durante a Jornada Nacional de Ocupação, realizada pelo MST em vários estados brasileiros. Segundo nota divulgada pela direção estadual do MST/PE, "a Policia Civil invadiu ilegalmente a área, atirando e agredindo as famílias acampadas na área". Ainda segundo os sem-terra, a expulsão teria sido acompanhada por um homem identificado como César Rosa Soares, supostamente sobrinho do proprietário da área, a quem os agricultores acusam de agressões físicas e verbais. "Houve um grande tiroteio e as pessoas corriam, assustadas, tentando salvar suas vidas e a das crianças. Um companheiro nosso, chamado Givaldo está desaparecido", contou Antônio da Silva, da coordenação estadual do movimento. Policiais civis da delegacia local confirmaram a prisão três sem-terra, mas nega que tenha participado a ação de despejo. No início da tarde de sábado, segundo o MST, cerca de 50 famílias teriam sido expulsas - por pistoleiros - numa localidade conhecida como Engenho Cavaco, no município de Xexéu, Zona da Mata Sul pernambucana. O engenho havia sido ocupado no último dia 18. De acordo com a nota oficial do MST, "desde a ocupação, as famílias vinham sendo ameaçadas por pistoleiros que rondam a área com carros da usina Taquara, arrendatária do engenho". "Os pistoleiros estavam constantemente atirando contra os agricultores. Ontem (sexta-feira), de madrugada e pela manhã, os disparos aumentaram obrigando os agricultores a se refugiarem nos arredores da área. Ainda não sabemos se há mortos ou feridos entre os acampados", declarou Cássia Bechara, da Assessoria de Imprensa do MST/PE. No último dia 18, o engenho foi reocupado pela terceira vez consecutiva pelos sem-terra. A área, de 500 hectares, segundo os sem-terra é improdutiva e já teria sido declarada de interesse social para fins de reforma agrária, desde fevereiro de 2004. A informação foi confirmada pela superintendente do Incra em Pernambuco, Maria de Oliveira.

Agencia Estado,

21 Abril 2007 | 17h48

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