MST de Rainha anuncia nova ofensiva no oeste paulista

Mesmo desautorizado a falar em nome do movimento, líder mantém invasões do MST; áreas nas regiões de Andradina, Araçatuba e Pontal estão sob a mira

Agencia Estado

21 Junho 2007 | 12h56

O líder do Movimento dos Sem-Terra (MST) José Rainha Júnior promete desencadear uma nova ofensiva contra fazendas do oeste paulista a partir desta quarta-feira, 20, em parceria com o Sindicato dos Trabalhadores na Agricultura Familiar (Sintraf) e a Central Única dos Trabalhadores (CUT). Rainha disse que vai colocar em prática o que foi decidido no 5º Congresso Nacional do movimento, encerrado na última sexta-feira, em Brasília, para o qual não foi convidado. "Se a ordem é manter a pressão para fazer a reforma agrária, vamos fazer a nossa parte com a ocupação de 20 fazendas durante esta semana." Ele batizou a nova ação de Operação São João, pois vai "esquentar" o inverno. Na manhã desta quinta-feira, devem ser invadidas duas fazendas com 2,2 mil e 4 mil hectares, respectivamente, nas regiões de Andradina e Araçatuba. Até o final de semana, a ofensiva se estende ao Pontal do Paranapanema. As áreas visadas são terras que já estão em processo de desapropriação por serem improdutivas ou consideradas devolutas, segundo Rainha. Alguns processos estão parados na Justiça e, em outros casos, só falta o governo estadual pagar o que foi acertado. "Queremos que a Justiça agilize a emissão na posse dessas áreas." Ele disse que, apesar da direção do movimento criticar o governo Lula, as ações do seu grupo serão dirigidas contra o projeto do governo estadual de regularizar as fazendas com mais de 500 hectares no Pontal. O projeto foi enviado à Assembléia Legislativa na semana passada pelo governador José Serra. "O Lula nunca pediu que o movimento parasse de lutar. O problema é o governo de São Paulo que não usa o dinheiro repassado para pagar as terras e ainda quer regularizar áreas que a Justiça considera griladas." Sem respaldo Rainha, que recentemente foi desautorizado a falar ou contatar o governo em nome do movimento, disse que se sente cada vez mais "dentro do MST". Em todas as ações serão usadas as bandeiras do movimento. Em maio, a direção do movimento encaminhou um comunicado a órgãos do governo informando que José Rainha Júnior não fazia parte de "nenhuma instância" do MST, portanto não poderia falar ou agir pelo movimento. Na época, o líder dos sem-terra buscava apoio do governo Lula para um projeto de produção de biodiesel no Pontal. Durante o congresso, os líderes nacionais não quiseram comentar a "punição" a Rainha. Nesta quarta-feira, ele disse que a carta de princípios divulgada no encerramento do congresso reforçou seu "sentimento" de que está agindo de acordo com as diretrizes do MST. "Minhas ações são contra o agronegócio e pela agricultura familiar. O projeto de biodiesel é ambientalmente correto e será administrado pelos assentados, como a carta recomenda." Em fevereiro deste ano, o grupo de Rainha, em parceria com a CUT e o Sintraf, invadiu 14 fazendas no oeste paulista. Em compensação, no "abril vermelho" do MST, não participou de nenhuma ação.

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