MPF pede fim de contrato de obra da Warre em GO

Objetivo é impedir a continuidade de uma série de irregularidades que envolve o caso

Agência Estado

11 Maio 2012 | 12h21

O Ministério Público Federal encaminhou para a Justiça na manhã desta sexta-feira, 11, a solicitação de suspensão das obras no Parque Mutirama, na Avenida Araguaia, em Goiânia e o cancelamento do contrato com a empresa Warre Engenharia. O pedido, segundo o MP, é resultado da insistência da Prefeitura de Goiânia em manter a empresa Warre Engenharia nas obras mesmo após diversas irregularidades constatadas pelas fiscalizações. Embora investigações da Polícia Federal e da Controladoria-Geral da União comprovem desvio de mais de R$ 2 milhões na execução do projeto, uma sentença judicial, emitida em 2011 permitia a continuidade das obras.

Outro ponto é a possível ligação de Carlinhos Cachoeira, preso na Operação Monte Carlo, com as obras do Parque. Segundo declarações do próprio contraventor, ele seria uma espécie de sócio oculto da empresa Warre Engenharia e teria direito a "30% de participação na obra.

Conforme informações do Ministério Público Federal em Goiás, o objetivo é impedir a continuidade de uma série de irregularidades que envolve o caso. Antes de partir para o caminho judicial, o Ministério afirma que procurou abrir diálogo e buscar soluções amigáveis com a Prefeitura da capital de Goiás. "Há necessidade de medida judicial urgente para a interrupção de uma obra que começou mal, está sendo conduzida de forma irregular e, certamente, terminará mal", diz o procurador que conduz o caso, Marcello Santiago Wolff.

Em fevereiro deste ano, cinco pessoas foram presas por desvio de R$ 2 milhões nas obras do Mutirama. As obras de reestruturação do parque totalizam um investimento superior a R$ 80 milhões, dos quais R$ 55 milhões são provenientes de convênios firmados entre o município e o Ministério do Turismo (Mtur), segundo o MPF.

Irregularidades. O Ministério Público Federal investiga irregularidades relacionadas às obras desde janeiro de 2010, quando ajuizou ação civil pública para impedir o início da reestruturação do Parque Mutirama por ilegalidades na licitação que selecionou a empresa Warre Engenharia para a execução dos serviços.

Após a Justiça ter autorizado o início das obras, o MPF passou a verificar a correta aplicação dos recursos públicos investidos no Parque Mutirama, realizando vistorias e analisando documentos, como projetos, boletins de medição, planilhas de custo e outros. Em janeiro, um perito do MPF foi barrado pela Amob e pela Warre Engenharia ao tentar realizar perícia nas obras do Parque Mutirama e o parque precisou recorrer à PF para entrar no local.

Mais conteúdo sobre:
CPI do Cachoeira MPF Mutirama Cachoeira

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.