MP pede reforço em sede de Minas sob risco de invasão

O Ministério Público de Minas Gerais (MP-MG) solicitou reforço policial para sua sede na cidade de Montes Claros, no norte do Estado, após o serviço de inteligência da Polícia Militar (PM) descobrir um plano de invasão do local. O esquema teria como objetivo destruir documentos e material apreendido durante a Operação Conto do Vigário, deflagrada no fim do mês passado, para desarticular uma quadrilha especializada no desvio de recursos públicos em São Francisco e em outras prefeituras da região por meio de fraudes em licitações e concursos.

EDUARDO KATTAH, Agência Estado

09 Dezembro 2010 | 18h29

Durante a operação, que envolveu o MP, a Secretaria de Estado da Fazenda e as polícias Militar e Civil, foram cumpridos 18 mandados de prisão e 34 de busca e apreensão expedidos pela 1.ª Vara da Comarca de São Francisco. Atendendo a um requerimento da promotoria, o juiz Marco Aurélio Abrantes Rodrigues determinou o afastamento cautelar do prefeito de São Francisco, padre José Antônio da Rocha Lima (PT).

Num cálculo preliminar dos promotores responsáveis pelo caso, pelo menos R$ 5 milhões em recursos da prefeitura comandada pelo petista já teriam sido desviados. Conforme o MP, além das fraudes em licitações e concursos públicos, a investigação identificou "pagamento de notas de empenho para compra de produtos médico-hospitalares junto a uma distribuidora de produtos médicos sem que, de fato, os insumos fossem entregues para benefício da população".

"É uma grande organização criminosa que atua no norte de Minas", disse hoje o promotor Paulo Márcio da Silva. "Os fatos que estamos apurando são gigantescos, que chocam pela audácia. O norte é uma região muito carente e as fraudes ocorrem em áreas muito sensíveis, como medicamentos." Na ação que pediu o afastamento do prefeito, o MP afirma que o grupo criminoso oferecia "aos dirigentes municipais um verdadeiro ''menu de serviços''".

Prisão

As investigações se estendem aos municípios de Januária, São Romão, Pedras de Maria da Cruz, Miravânia, Itacambira, São João das Missões, Pintópolis, Icaraí de Minas, Jaíba, Juvenília, Luislândia, Buritizeiro, São João da Ponta, Lagoa Santa e Nova Lima - estas duas últimas na região metropolitana de Belo Horizonte.

De acordo com o promotor, foram apreendidas cerca de duas toneladas de documentos durante a Conto do Vigário. "Recebemos uma informação do serviço de inteligência da PM e decidimos reforçar o policiamento", explicou. Cinco suspeitos, apontados pelo MP como o "núcleo duro" da quadrilha, permanecem presos preventivamente em Montes Claros. A reportagem não conseguiu contato com Lima ou seu advogado.

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