MP denuncia 39 na Xeque-Mate; irmão de Lula fica de fora

Compadre do presidente, suposto sócio do chefe da máfia, responderá a três crimes

Agencia Estado

21 Junho 2007 | 12h54

O Ministério Público Federal de Mato Grosso do Sul apresentou nesta terça-feira, 19, denúncia criminal contra 39 acusados de integrarem a máfia dos caça-níqueis à 5ª Vara da Justiça Federal de Campo Grande (MS). A denúncia incluiu o compadre do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Dario Morelli Filho, mas deixou de fora o irmão mais velho de Lula, Genival Inácio da Silva. Vavá havia sido indiciado pela PF por tráfico de influência e exploração de prestígio mas, segundo o Ministério Público, "não há elementos suficientes nos autos que indiquem a sua participação em qualquer uma das quadrilhas denunciadas". Já o relatório da Polícia Federal sobre a Operação Xeque-Mate apontava que Vavá tentava "vender facilidades" dentro do governo, usando o nome de Lula, em troca de dinheiro e à revelia do presidente. O inquérito da PF indiciou 101 pessoas nas investigações. Morelli foi denunciado por contrabando, formação de quadrilha e falsidade ideológica. O compadre do presidente é listado como sócio do chefe da máfia dos caça-níqueis, Nilton Servo, na exploração de máquinas caça-níqueis em Ilhabela (SP). Na denúncia, Servo responderá por crime de contrabando,formação de quadrilha, corrupção ativa e falsidade ideológica. Os grampos da PF mostram que Morelli e Servo planejavam expandir os negócios para São Sebastião (SP) e Manaus (AM). "Dario Morelli Filho gerencia pessoalmente a sala de jogos Deck Vídeo Bingo, ficando claro nos áudios que ele e Servo também possuem máquinas instaladas em outros estabelecimentos comerciais daquela cidade (Ilhabela)", afirma o relatório feito pela PF. Morelli é acusado também de "fazer o pagamento de propinas aos policiais corruptos que, em contrapartida, não reprimem a atividade ilícita de exploração do jogo de azar". Segundo a PF, "um dos policiais civis que recebia propina de Morelli é o investigador conhecido apenas pela alcunha de Beto, lotado na delegacia de Ilhabela". Detido com outras 80 pessoas no dia 4, quando a operação foi deflagrada, o compadre de Lula não teve o pedido de prisão preventiva renovado e foi solto na semana passada. (Com Ricardo Brandt, do Estadão)

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.