Movimentos sociais lançam nova frente

'Povo Sem Medo' vai contrapor política econômica do governo Dilma e, ao mesmo tempo, evitar 'saídas à direita para a crise'

Ricardo Galhardo, O Estado de S.Paulo

07 Outubro 2015 | 02h04

Um grupo de 27 movimentos sociais, entre eles o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), a Central Única dos Trabalhadores (CUT) e a União Nacional dos Estudantes (UNE), lança na quinta-feira a Frente Povo Sem Medo, cujos principais objetivos são contrapor a política econômica do governo Dilma Rousseff, combater a "ofensiva conservadora" nas ruas e no Congresso e, ao mesmo tempo, evitar "saídas à direita para a crise", entre elas o impeachment da presidente. A nova frente fará sua estreia com uma série de manifestações no dia 8 de novembro.

Ao contrário da Frente Brasil Popular, que estreou nas ruas no sábado passado, em um ato que teve presença popular abaixo da expectativa dos organizadores e tem o PT entre seus integrantes, a Frente Povo Sem Medo vetou a participação institucional de partidos.

Além dos movimentos, a nova frente conta com apoio de artistas e intelectuais como Laerte Coutinho, cartunista, Frei Betto e Ferréz, escritores, e o deputado Jean Wyllys (PSOL-RJ) e o senador Linbergh Farias (PT-RJ).

O novo coletivo surge com o discurso de unidade entre os diversos setores da esquerda, mas, embora rejeite o termo "racha", é formado em boa parte por grupos que se recusaram a participar da Frente Brasil Popular. O principal deles é o MTST, visto hoje como um dos movimentos de esquerda com maior capacidade de mobilização popular.

Segundo Guilherme Boulos, coordenador do MTST, embora o manifesto de lançamento da frente não cite explicitamente o impeachment de Dilma, os grupos são contra o afastamento da presidente. "Somos contra as saída à direita para a crise. Consideramos que o impeachment é uma saída à direita", disse.

 

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