AFP PHOTO / NELSON ALMEIDA
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Movimentos lançam nova frente de esquerda contra ajuste fiscal e impeachment

Chamada de 'Frente Povo sem Medo' tem como objetivos são contrapor a política econômica do governo Dilma Rousseff, combater a 'ofensiva conservadora' nas ruas e no Congresso e, ao mesmo tempo, evitar 'saídas à direita para a crise'

Ricardo Galhardo, O Estado de S. Paulo

06 Outubro 2015 | 19h28

São Paulo - Um grupo de 27 movimentos sociais, entre eles o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), Central Única dos Trabalhadores (CUT) e União Nacional dos Estudantes (UNE) vai lançar nesta quinta-feira, 8, a Frente Povo Sem Medo, cujos principais objetivos são contrapor a política econômica do governo Dilma Rousseff, combater a "ofensiva conservadora" nas ruas e no Congresso e, ao mesmo tempo, evitar "saídas à direita para a crise", entre elas o impeachment da presidente.

A nova frente fará sua estreia com uma série de manifestações no dia 8 de novembro. Ao contrário da Frente Brasil Popular, que estreou nas rua no último sábado, em um ato que teve presença popular abaixo da expectativa dos organizadores e tem o PT entre seus integrantes, a Frente Povo Sem Medo vetou a participação de partidos políticos. Além dos movimentos, a nova frente conta com apoio de artistas e intelectuais como o cartunista Laerte Coutinho, os escritores Frei Betto e Ferréz, o cientista político André Singer e parlamentares de esquerda como o deputado Jean Wyllys (PSOL-RJ) e o senador Linbergh Farias (PT-RJ).

De acordo com Isa Pena, do movimento Rua - Juventude Anticapitalista, um dos objetivos é reconquistar setores da sociedade indignados com a situação do País que não tem ideologia conservadora mas tem engrossado os protestos contra o governo. 

A nova frente surge com o discurso de unidade entre os diversos setores da esquerda, mas, embora rejeite o termo "racha", é formado em boa parte por grupos que se recusaram a participar da Frente Brasil Popular. O principal deles é o MTST, visto hoje como um dos movimentos de esquerda com maior capacidade de mobilização popular. 

Contrário à política econômica que prevê atraso em investimentos do Minha Casa Minha Vida e defensor radical da independência dos movimentos em relação a partidos e governo, o MTST chegou a participar do ato contra o impeachment de Dilma realizado no dia 20 de agosto mas se descolou da Frente Brasil Popular e criou a Frente Povo Sem Medo. Alguns movimentos que integram a Frente Brasil Popular como CUT e UNE se uniram também à nova corrente. Outros como Movimento dos Sem Teto (MST) e Central de Movimentos Populares (CMP), não. 

Segundo Guilherme Boulos, coordenador do MTST, embora o manifesto de lançamento da frente não cite explicitamente o impeachment de Dilma, os grupos são contra o afastamento da presidente. 

"Somos contra as saída à direita para a crise. Consideramos que o impeachment é uma saída à direita", disse Boulos. 

De acordo com os integrantes da frente, outros objetivos são propor uma terceira alternativa à polarização do debate sobre a política econômica e tentar atrair a militância espontânea de esquerda. No ato de estreia da Frente Brasil Popular, no último sábado, em São Paulo, a quase totalidade dos participantes era ligada a algum dos movimentos que organizaram a manifestação. 

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