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Movimentos engrossam crítica à Dilma Rousseff

Grupos que saíram ás ruas para defender o mandato da presidente decidem colocar a reforma da Previdência proposta pelo governo no alvo das próximas manifestações

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Ricardo Galhardo,
O Estado de S. Paulo

21 Janeiro 2016 | 03h00

Incomodados com os primeiros movimentos do novo ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, movimentos populares, partidos políticos e entidades sindicais que foram às ruas em defesa do mandato da presidente Dilma Rousseff decidiram colocar a reforma da Previdência proposta pelo governo no alvo das próximas manifestações. 

Em reunião realizada segunda-feira, em São Paulo, os grupos que integram a Frente Brasil Popular decidiram fazer um grande ato contra o impeachment de Dilma na segunda quinzena de março e incluir o descontentamento em relação à reforma da Previdência na pauta de reivindicações que terá ainda a rejeição ao afastamento da presidente e ao ajuste fiscal e a saída do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). 

A proposta de reforma da Previdência que aumenta a idade mínima para aposentadoria foi alvo de críticas duras, principalmente por parte da Central Única dos Trabalhadores (CUT) e do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST). Segundo relatos, o líder sem-terra João Pedro Stédile teria dito que a proposta “é o limite” do apoio do movimento à presidente. Para Stédile, o aumento da idade para aposentadoria teria efeitos especialmente negativos nas zonas rurais. Ele não foi encontrado ontem. 

Já a CUT tem manifestado publicamente a contrariedade em relação à reforma desde o início do ano. “Depois da saída do (Joaquim) Levy todo mundo esperava uma guinada que reconectasse o governo com as bases que o elegeram em 2014. Mas o governo colocou um óbice”, disse Julio Turra, diretor executivo da CUT.

‘Tendência suicida’. Na reunião de segunda-feira sobraram críticas ao governo. Segundo participantes, Dilma não soube aproveitar notícias positivas do fim do ano passado como a força das manifestações anti-impeachment, a aprovação do Orçamento para 2016, o pagamento das chamadas pedaladas fiscais e as decisões do Supremo Tribunal Federal contra o rito de afastamento proposto por Cunha. 

“Parece que este governo tem uma tendência suicida. Não aproveita as oportunidades”, disse Raimundo Bonfim, da Central de Movimentos Populares (CMP).

Formada por 52 entidades, entre elas PT, PC do B, CUT, MST, CMP e União Nacional de Estudantes (UNE), a Frente Brasil Popular foi responsável, ao lado de outros grupos, por levar 50 mil pessoas, segundo a Polícia Militar, à Avenida Paulista, no dia 16 de dezembro, em um ato contra o impeachment de Dilma. Ontem, a Frente começou a traçar o cronograma para 2016. A ideia é fazer um grande ato na segunda quinzena de março para dar uma resposta nas ruas às manifestações em defesa do impeachment, marcadas para o dia 13 de março.

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