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Moro pede que ‘voz das ruas’ seja ouvida por partidos

- Atualizado: 13 Março 2016 | 22h 44

Máscaras, cartazes, camisetas e faixas exibidas transformaram o juiz que conduz o processo da Lava Jato em presença onipresente

BRASÍLIA - O juiz federal Sérgio Moro, que conduz o processo da Operação Lava Jato na primeira instância, foi tratado mais uma vez como ‘herói nacional’ nas manifestações em diversas capitais brasileiras e até mesmo fora do País. À tarde, Moro divulgou nota agradecendo.

“Fiquei tocado pelo apoio às investigações da assim denominada Operação Lava Jato. Apesar das referências ao meu nome, tributo a bondade do povo brasileiro ao êxito até o momento de um trabalho institucional robusto que envolve a Polícia Federal, o Ministério Público Federal e todas as instâncias do Poder Judiciário”, afirmou Moro no comunicado.

Dia de Protestos
TV Estadão | 13.03.2016
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Máscaras do juiz, cartazes, camisetas, faixas e até pessoas fantasiadas de Moro pontuaram as manifestações pró-impeachment da presidente Dilma Rousseff. Na nota, Sérgio Moro disse considerar “importante que as autoridades eleitas e os partidos ouçam a voz das ruas” e que “não há futuro com a corrupção sistêmica que destrói nossa democracia, nosso bem estar econômico e nossa dignidade”.

Em Brasília, onde o protesto realizado pela manhã reuniu cerca de 100 mil pessoas, de acordo com cálculos da Polícia Militar, eram várias as referências ao juiz. Do alto do trio elétrico, locutores ensinavam a multidão a fazer com os dedos um “M de Moro”. O juiz foi citado também em paródias – “Dá-lhe, Moro! Dá-lhe, Moro!– e em faixas, como as que diziam “Eu ‘Moro’ de amor pelo Brasil” e “STF é PT. Moro é Brasil”, esta última uma crítica direta ao Supremo Tribunal Federal, responsável pelas decisões da Lava Jato que envolvem autoridades envolvidas com foro especial. Faixas em apoio ao juiz foram vistas em vários estados, inclusive na manifestação que tomou a Avenida Paulista.

Políticos e personalidades participam de protestos contra o governo
Filipe Araújo/Estadão
Manifestantes

Aécio Neves e Geraldo Alckmin não ficaram mais de 30 minutos na avenida Paulista. O senador e o governador foram hostilizados por parte dos manifestantes presentes no local

Manifesto. No encerramento do protesto na Esplanada dos Ministérios foi lido um manifesto que dizia “Juiz Sérgio Moro, nós, o povo brasileiro, estamos do seu lado! Confie! Cumpra seu dever e faça justiça! O Senhor (com ‘S’ maiúsculo mesmo) nos representa! Nós, o povo brasileiro, hoje nas ruas de todo País, apoiamos o Ministério Público, a Polícia Federal e a Justiça brasileira!”.

Em Curitiba (PR), onde tramita o processo da Lava Jato, um exército de milhares de “Sérgio Moro” invadiu a cidade. Um grupo de apoiadores criou o bloco do ‘SomosTodosSergioMoro’. Até mesmo em Nova York, onde cerca de 250 brasileiros vestidos de verde e amarelo, alguns com a cara pintada, cantaram o hino nacional na Times Square e entoaram frases como “Moro, guerreiro, do povo brasileiro”. Em Londres, o protesto foi na porta da embaixada.

Poderes. O empresário Guilherme Desordi, 27, que se autointitulava “Super Sérgio Moro”, vestiu capa de super-heroi para participar da manifestação em Brasília. “Ele hoje é o maior herói do País”, afirmou, ao lado do sobrinho de 1 ano, que brincava com um mini boneco Pixuleco no gramado da Esplanada dos Ministérios. As máscaras do juiz eram vendidas a R$ 30, mesmo preço cobrado em Maceió (AL), onde o artigo também fez sucesso entre as pessoas que protestaram.

Avenida Paulista é tomada por manifestantes vestidos de verde e amarelo
Daniel Teixeira / Estadão
Manifestação

A Polícia Militar chegou a restringir o acesso de pessoas à Avenida Paulista. O argumento foi o excesso de pessoas no local

Boneco. Um grupo de manifestantes também levou um boneco gigante de Moro para as ruas do Recife. A alegoria fez sucesso e muita gente aproveitou para fazer ‘selfies’ com o boneco, que estava vestido com uma toga preta e carregava vários adesivos com palavras de ordem como ‘Basta’ e frases como ‘Fora Dilma’. No Rio de Janeiro, onde os atos contra a presidente ocorreram no início do domingo, máscaras de Moro, cartazes e faixas também marcaram a passeata na Praia de Copacabana. Houve ainda pessoas carregando cartazes e faixas com o rosto do juiz.

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