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Política

Dilma Rousseff

Moro havia mandado suspender grampo antes da gravação

Ligação entre um celular e o telefone do Planalto foi interceptada às 13h32; ofício para parar grampos foi às 12h18

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Valmar Hupsel Filho,
O Estado de S.Paulo

17 Março 2016 | 01h07

O diálogo entre a presidente Dilma Rousseff e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no qual ambos conversam sobre o “uso” do termo de posse do novo ministro da Casa Civil, foi feito pela Polícia Federal 46 minutos depois da ordem do juiz Sérgio Moro para a operadora de telefonia suspender a interceptação. A informação foi revelada pelo portal UOL.

A ligação entre um celular do Instituto Lula, com final 2034, e um telefone fixo do Palácio do Planalto, com final 0095, foi interceptada pela PF às 13h32 de ontem, enquanto o ofício de Moro à operadora Claro, determinando o fim da interceptação, foi expedido às 12h18.

Na conversa, Dilma diz a Lula: “Seguinte, eu tô mandando o ‘Bessias’ junto com o papel pra gente ter ele e só usa em caso de necessidade, que é o termo de posse, tá?”. A oposição interpretou a frase dita pela presidente como um indicativo de que a nomeação de Lula para a Casa Civil teve o objetivo de garantir a ele foro privilegiado e assim escapar da alçada do juiz Sérgio Moro, responsável pela investigação da Operação Lava Jato em primeira instância. Segundo esta interpretação, o diálogo configuraria que ambos atuaram juntos para obstruir as investigações que têm Lula como um dos alvos.

A ordem para a Polícia Federal fazer interceptações telefônicas de 15 números ligados ao Instituto Lula, assessores e do filho do ex-presidente foi expedida por Sérgio Moro no dia 19 de fevereiro e tinham validade para 15 dias. No dia seguinte, Moro inseriu novos números em novo pedido.

No ofício em que pede a suspensão das interceptações, Sérgio Moro justifica que foram feitas “diligências ostensivas de busca e apreensão” e pede que a autoridade policial seja informada com urgência da decisão, inclusive por telefone. Às 11h44, a Polícia Federal expediu uma certidão afirmando que recebeu o ofício e informou o delegado responsável pelas interceptações. “Certifico que intimei por telefone o Delegado de Polícia Federal, Dr. Luciano Flores de Lima”, diz a certidão.

Responsabilidade. Em nota, a Polícia Federal afirmou que a interrupção de interceptações telefônicas autorizadas pela Justiça é de responsabilidade das empresas de telefonia móvel. Informa também que comunicou a companhia telefônica imediatamente após o recebimento da notificação da decisão judicial.

“Até o cumprimento da decisão judicial pela companhia telefônica, foram interceptadas algumas ligações. Encerrado efetivamente o sinal pela companhia, foi elaborado o respectivo relatório e encaminhado ao juízo competente, a quem cabe decidir sobre a sua utilização no processo”, informou a PF. O Estado não conseguiu contato com a Claro no final da noite de ontem.

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