Dida Sampaio|Estadão
Dida Sampaio|Estadão

Moreira Franco considera 'sábia' tentativa de Meirelles de pôr de pé candidatura

'Ele tem uma massa de apoio e vai sair para fazer a campanha dele', diz ministro-chefe da Secretaria Geral da Presidência

Vera Rosa, O Estado de S.Paulo

16 Março 2018 | 20h14

BRASÍLIA - O ministro-chefe da Secretaria Geral da Presidência, Wellington Moreira Franco, disse nesta sexta-feira, 16, que o titular da Fazenda, Henrique Meirelles, está tendo uma "atitude sábia" ao procurar construir sua candidatura ao Palácio do Planalto. "Ele tem uma massa de apoio e vai sair para fazer a campanha dele. É uma atitude sábia", afirmou Moreira Franco.

De dez a 13 ministros devem deixar os cargos até 7 de abril para disputar as eleições de outubro. Meirelles está propenso a sair, mas ainda não bateu o martelo porque não tem a garantia de que o MDB irá avalizar o seu projeto eleitoral. Atualmente, o ministro é filiado ao PSD, que deve aderir à campanha do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), ao Planalto.

Sem espaço no PSD, Meirelles negocia a migração para o MDB. Se o presidente Michel Temer aceitar o acordo, ele abdicará do comando da economia na reforma ministerial, prevista para o início de abril, e começará a viajar pelo País até o começo de julho, na tentativa de se tornar conhecido e expor suas propostas, ancoradas pelo mote "A melhor política social é o emprego". O nome preferido do ministro para ocupar sua cadeira é o do secretário executivo da Fazenda, Eduardo Guardia.

Meirelles se compromete a retirar a pré-candidatura se até julho não conseguir o mínimo de sustentação política e popular - hoje, no melhor dos cenários, ele tem 2% das intenções de voto -, ou mesmo se Temer resolver entrar no páreo. Nessa hipótese, o ministro afirma que "sem dúvida" estaria na campanha do presidente.

Embora nos bastidores trabalhe pelo lançamento de Temer a um novo mandato, Moreira Franco diz em público apenas que o governo deve apoiar um concorrente de partido da base aliada. O núcleo político do Planalto, porém, considera muito difícil garantir a Meirelles a chancela do MDB para o seu plano de presidenciável. Ele já foi avisado de que os diretórios do MDB estão rachados sobre os rumos a seguir e provavelmente criarão problemas para admitir um "cristão novo" na cabeça da chapa.

Derivativos. Auxiliares de Temer chegaram a comparar as articulações políticas do titular da Fazenda à de um "mercado de derivativos", que tem alto risco. No Nordeste, por exemplo, uma ala do MDB quer até mesmo apoiar o PT. Mesmo se a condenação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva for mantida e ele não puder concorrer por causa da Lei da Ficha Limpa, caciques do MDB, como o presidente do Senado, Eunício Oliveira (CE), e seus colegas Renan Calheiros (AL) e Roberto Requião (PR), pretendem subir no palanque de um candidato petista ao Planalto. Argumentam, para tanto, que Lula será grande cabo eleitoral em qualquer situação, mesmo se estiver preso.

Em conversas reservadas, emedebistas dizem que, no atual cenário, é mais fácil o partido apoiar regionalmente um nome do PT do que o tucano Geraldo Alckmin, hoje bem distante de Temer. No Planalto, interlocutores do presidente lembram que Alckmin também não parece disposto a associar sua imagem à de Temer, embora o MDB seja dono do maior tempo no horário gratuito. O presidente do MDB, senador Romero Jucá (RR), torce pela adesão a Meirelles - que pode até mesmo financiar a campanha do próprio bolso -, mas o seu grupo, hoje, não é majoritário no partido. 

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