Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Ministros já buscam diálogo com Cunha

Mesmo antes do resultado da eleição na Câmara, Palácio do Planalto já se mobilizava para melhorar relação política com peemedebista

Vera Rosa e João Domingos, O Estado de S. Paulo

02 Fevereiro 2015 | 05h00

Brasília - Preocupados com a iminente vitória do deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) para a presidência da Câmara dos Deputados, ministros do PT tentaram neste domingo, 1º, selar um “pacto de governabilidade” com o PMDB. Antes mesmo do resultado da eleição, que confirmou a eleição do peemedebista em primeiro turno com 267 votos, coordenadores da campanha de Arlindo Chinaglia (PT-SP) já admitiam a derrota e ministros entraram em campo para promover diálogo com o vencedor. 

A presidente Dilma Rousseff almoçou, no Palácio da Alvorada, com ministros da coordenação de governo e deu carta branca para a aproximação com Cunha, seu desafeto. O vice Michel Temer foi acionado para ajudar nesse movimento. O temor do Planalto e da cúpula do PT é com a inclusão de uma “pauta bomba” na Câmara, com projetos que aumentem as despesas do governo, em tempos de dificuldades na economia. 

 

A derrota de Chinaglia e o inferno astral do PT começaram a ficar ainda mais evidentes para o governo depois que o PDT perdeu o prazo para registrar as assinaturas dos deputados do partido. Com isso, ficou fora do bloco liderado pelo PT para a disputa de cargos na Mesa Diretora da Câmara e prejudicou os petistas na divisão das principais comissões da Casa. 

Na avaliação do governo, a eleição deste domingo, 1º, foi marcada por um jogo de traições da base aliada, no rastro da Operação Lava Jato, que escancarou um esquema de corrupção na Petrobrás. Além disso, o PT não conseguiu “furar o bloqueio”do PMDB e a oposição acabou jogando votos em Cunha, abandonando a candidatura de Júlio Delgado (PSB-MG). 

Um ministro disse ao Estado que Dilma ficou particularmente decepcionada com o PDT, partido que ajudou a fundar. A atitude do PDT, que, pela falta de uma assinatura, jogou o PT para escanteio na Câmara, foi contabilizada na lista das traições. 

Avaliação. Os ministros Aloizio Mercadante (Casa Civil), Jaques Wagner (Defesa), Pepe Vargas (Relações Institucionais) e Miguel Rossetto (Secretaria-Geral da Presidência) almoçaram neste domingo, 1º, com Dilma e, já aquela altura, avaliaram as consequências da provável derrota do governo na Câmara - a primeira do segundo mandato de Dilma. Vargas chegou a tomar posse como deputado apenas para votar em Chinaglia. 

"Não se pode, depois da eleição, jogar na instabilidade, para quebrar tudo, e amanhã ser sangue para todo o lado. Precisamos garantir a governabilidade”, disse ao 'Estado' o deputado José Guimarães (PT-CE), um dos coordenadores da campanha de Chinaglia. “Vamos apostar no diálogo.”

Para o deputado Lúcio Vieira Lima (PMDB-BA), os parlamentares mostraram, nessa eleição, o descontentamento com Dilma. Agora, o governo quer virar a página e recompor sua base, dizendo que não vai cumprir as ameaças que foram feitas aos deputados, de que ia tirar cargos e emendas daqueles que não votassem em Arlindo, ironizou Vieira Lima. 

Na Câmara, um dos projetos que causam receio a Dilma é o do orçamento impositivo. A proposta obriga o governo a pagar emendas parlamentares individuais. Cunha avisou que a votação da proposta será prioridade.

Dilma telefonou no domingo, 1º, no fim da tarde para o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), parabenizando-o pela vitória. Apesar da divisão do PMDB no Senado, o governo enquadrou a dividida bancada do PT e já apostava no triunfo do aliado. 

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