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Ministro volta a reclamar de advogados do mensalão

O Estado de S. Paulo

01 Julho 2014 | 22h 05

Barbosa diz que a ‘prática do direito no Brasil está se tornando vale-tudo’ e que defensores tentam ganhar casos ‘no grito’

Após a sua última sessão na presidência do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa voltou a reclamar dos advogados dos condenados do mensalão.

“Com relação às agressões de advogados à minha pessoa e à figura do presidente do STF, foi uma das coisas mais chocantes durante esses 11 anos que passei aqui. Na verdade, o que se tem é que a prática do direito no Brasil está se tornando um vale-tudo, é uma constante quebra de braço. O sujeito perde nos argumentos, mas quer levar no grito, quer agredir, quer desmoralizar a autoridade”, disse o magistrado, referindo-se principalmente ao defensor de José Genoino, Luiz Fernando Pacheco, que semanas atrás interrompeu uma sessão do Supremo para pedir que um pedido seu fosse julgado pelo plenário. Acabou expulso da Corte por Barbosa. O magistrado também foi alvo de abaixo-assinados criticando sua atuação no caso.

O ministro disse ainda que não pode haver conivência do Judiciário com abusos. “O Judiciário é o Poder cuja força está na sua credibilidade. Ele não dispõe do dinheiro, da bolsa, ele não dispõe das armas. Ele dispõe da credibilidade. No momento em que há conivência e complacência dentro do próprio Judiciário com esses abusos cometidos por certas pessoas, certas organizações, todo o edifício democrático rui, porque um Judiciário forte, com credibilidade e respeitado é um elemento fundamental de qualquer democracia”, concluiu.