FABIO MOTTA/ESTADÃO
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Ministro não vê ‘zona cinzenta’ em relação

O tráfico de influência e o suborno de autoridades do governo inviabilizam a regulamentação do lobby no Brasil e obscurecem a relação entre empresários e o Estado? Para o professor sênior da Harvard Kennedy School (Irlanda), Eoin Gahan, o lobby “faz parte” da relação entre os Estados e as grandes companhias há muitos anos, em diversos países.

João Villaverde, O Estado de S.Paulo

18 Outubro 2015 | 03h00

“Há maneira de o governo beneficiar todos os setores de uma mesma forma e ela se dá pela política macroeconômica, com juros e câmbio, e com a melhora da infraestrutura e da educação. Mas no caso da promoção comercial feita pelos governos em outros países é preciso escolher setores. Não tem jeito. Governos precisam escolher vencedores. O lobby funciona aí. Mas é preciso ir além do lobby para que os governos não sejam capturados”, disse Gahan.

Ao Estado, o ministro de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Armando Monteiro, negou haver uma “zona cinzenta” na relação entre empresas e o Estado. Monteiro é empresário e antes de assumir cargo no governo federal foi presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI). “O Estado promove claramente os interesses das empresas brasileiras que, em última instância, representam os interesses da economia do País. Não vejo essa zona cinzenta não. As relações são feitas de forma explícita, aberta, transparente, através de diálogo muito fluido com o setor privado”, afirmou Monteiro, após ser questionado sobre o lobby empresarial junto ao governo. Monteiro, no entanto, não quis se pronunciar sobre o caso específico das montadoras com o governo.

O ministro de Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou que “o caso brasileiro já está estabelecido”, quando questionado pelo Estado sobre uma possível legalização do lobby no País. Segundo Vieira, “o Itamaraty sempre cumpriu essa missão, com o apoio dado à internacionalização das empresas. Não poderia ser de outra forma. O governo tem que apoiar mesmo a internacionalização das empresas de todos os setores”.

No Congresso, uma série de projetos encampados por parlamentares de diversos partidos, de tucanos a petistas, tratam da organização da carreira de lobista. Todos os projetos, no entanto, estão parados. / J.V.

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