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Ministro francês diz que caça sueco Gripen 'não existe'

Efe

06 Janeiro 2010 | 10h 28

País volta a se manifestar sobre o tema após vazamento de relatório da Aeronáutica favorável ao concorrente

O ministro da Defesa francês, Hervé Morin, minimizou nesta quarta-feira, 6, a importância das informações segundo as quais os militares brasileiros preferem o caça sueco Gripen ao francês Rafale, e disse que sua oferta inclui transferência tecnológica ao Brasil, que teria, assim, "uma plataforma industrial" para a América Latina. Segundo ele, o avião sueco, que ainda está em fase de projeto, "não voa, não existe".

 

"A decisão do Brasil será política", ressaltou Morin, em entrevista à rede de televisão francesa BFM TV, onde lembrou que a França estabeleceu "uma aliança estratégica com o Brasil", que se traduziu na venda, no ano passado, de helicópteros militares e submarinos no valor de 4,5 bilhões de euros.

 

O ministro se referiu a informações publicadas ontem na imprensa brasileira de que uma comissão técnica tinha comunicado ao Ministério da Defesa sua preferência pelo modelo de avião de combate sueco, frente às alternativas francesa ou americana.

 

Depois que a Força Aérea Brasileira (FAB) desmentiu ter entregue esse relatório técnico sobre a licitação para adquirir 36 caças, o ministro francês estimou que, neste assunto, "a imprensa brasileira não tem necessariamente a verdade".

 

Perguntado sobre o preço do Rafale, que é considerado muito alto a respeito de seus concorrentes, Morin respondeu com uma interrogação retórica: "é possível comparar uma Ferrari, que é o Rafale, com um Volvo, que é o Grippen?".

 

"O Rafale é um avião de missões múltiplas", que já é uma realidade provada e utiliza "as tecnologias mais modernas", disse o ministro francês. "Gripen é um avião que não voa, um avião que não existe", completou.

 

Morin insistiu que, com a venda do Rafale, o que se propõe é uma transferência tecnológica que daria ao Brasil e à própria indústria francesa "uma plataforma industrial de primeiro plano para toda a América Latina", onde seria possível comercializar este aparelho.

 

O ministro também insistiu em que a Suíça, que pretende renovar sua frota de aviões de combate, colocou "em primeiro lugar" o Rafale, na comparação técnica com seus concorrentes. O ministro francês considerou normal que o Brasil não tenha anunciado ainda com que aparelho ficará, porque adquirir um avião de combate é adquirir um conjunto de sistema de armamento, ou seja, "uma decisão para 40 anos, na qual influenciam muitos parâmetros".