Dida Sampaio|Estadão
Dida Sampaio|Estadão

Ministro do STF diz estar 'perplexo' com atitude de Mercadante

Marco Aurélio Mello afirmou ainda que a 'postura adequada' seria o ministro da Educação renunciar ao cargo até que a questão seja esclarecida; ele acrescentou que não seria 'fuga ao juiz Sérgio Moro' se Lula assumisse cargo no governo Dilma

Isadora Peron, O Estado de S.Paulo

15 Março 2016 | 15h34

BRASÍLIA - O ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), disse nesta terça-feira, 15, estar “perplexo” com a revelação de que o ministro Aloizio Mercadante (Educação) teria tentado evitar que o senador Delcídio Amaral (PT-MS) fechasse o acordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República.

“Estamos todos perplexos. Claro que se trata da palavra de um investigado, o valor é relativo, mas a delação revela indícios e esses indícios podem ter materialidade. Temos que aguardar”, disse.

Para o ministro, a “postura adequada” nesse caso seria Mercadante renunciar ao cargo até que a questão fosse esclarecida.

Questionado se o conteúdo da delação, que mostra uma tentativa de interferência nas investigações da Operação Lava Jato, seriam suficientes para mandar prender o ministro da Educação, Marco Aurélio disse que essa era uma decisão que caberia ao ministro Teori Zavascki, relator do caso no Supremo. “É hora de atuarmos com serenidade e temperança, apurando para que, selada a culpa, prender, para não inverter a ordem natural. A ninguém interessa, a essa altura, incendiar o Brasil”, disse.

Em sua delação, Delcídio afirmou que Mercadante prometeu dinheiro e lobby junto a ministros do Supremo para que o senador deixasse a prisão. A proposta foi feita a um assessor do senador, que gravou os encontros e entregou ao petista, que na época estava preso.

O principal motivo que levou o STF mandar prender Delcídio em novembro do ano passado foi justamente o fato de ele tentar interferir nos rumos da Lava Jato. Na época, o filho do ex-diretor da Petrobrás Nestor Cerveró, Bernardo, apresentou uma gravação na qual o parlamentar falava sobre um plano de fuga para seu pai e uma ajuda financeira que foi entendida como uma intenção de Delcídio em atrapalhar o acordo de delação premiada que Cerveró negociava com a Procuradoria-Geral da República.

Lula. Marco Aurélio também voltou a comentar a possibilidade de o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva assumir um ministério no governo da presidente Dilma Rousseff. O ministro disse que não via a atitude somente como uma maneira de obter foro privilegiado. “Não vejo como uma fuga ao juiz Sérgio Moro. Ele não é único juiz do País. Eu vejo o deslocamento como uma tábua de salvação para a presidente Dilma”, disse.

Para ele, Lula tem uma “penetração maior” do que Dilma no Congresso, que “não tem penetração alguma”. O ministro também afirmou que o ex-presidente só aceitaria um cargo se fosse para realmente mudar os rumos do governo. “Não creio que ele aceite se não for para dar a diretriz a ser seguida, principalmente no campo econômico e financeiro”, disse.

Mais cedo, em entrevista à Rádio Estadão, Marco Aurélio havia afirmado que não era correta qualquer suposição de que a Corte seria "benévola" com Lula, caso venha a ser julgado pelo STF e não por Moro.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.