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Célio Jr/Estadão

Militares repudiam relatório da comissão

Generais da ativa e da reserva criticam colegiado e dizem que conclusões foram duras e contaminadas pelo viés ideológico

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Tânia Monteiro e Wilson Tosta ,
O Estado de S. Paulo

10 Dezembro 2014 | 22h43

Brasília e Rio - Generais da ativa e da reserva consultados nesta quarta-feira, 10, pelo Estado foram unânimes em repudiar o trabalho desenvolvido pela Comissão Nacional da Verdade. O principal argumento é o de que o grupo cometeu uma imensa injustiça. As conclusões do foram consideradas duras e desproporcionais, contaminadas pelo viés ideológico. Para os militares, pessoas já mortas, que não podem se defender, foram acusadas injustamente.

Os militares pretendem a princípio fazer uma leitura atenta do relatório para depois começar a articular ações judiciais de indenização moral.

O ex-ministro do Exército general Leônidas Pires Gonçalves, de 93 anos, que foi responsabilizado por ter sido chefe do Estado-Maior do I Exército de 1974 a 1976, a quem era vinculada a chefia do Centro de Operações de Defesa Interna (Codi), classificou como “hipocrisia” e uma “injustiça” a inclusão do seu nome nesta lista.

“Eu já desafiei e desafio de novo que alguém tenha sido torturado neste período em que o DOI-Codi estava sob minha responsabilidade. Este comportamento não é ético’, disse ao Estado. “O problema é que quem está no poder cria a sua verdade, que normalmente não é a verdade verdadeira e se nós fôssemos criar uma Comissão da Verdade, com certeza a história seria outra.”

Para o presidente do Clube Militar, general da reserva Gilberto Pimentel, “não se trata de defender quem violou direitos humanos”. “Também não aceitamos isso. Mas a comissão precisava tratar os dois lados de forma imparcial porque, do nosso lado, também houve mortos e direitos humanos é para todo mundo.”

Pimentel também repudiou a proposta de revisão da Lei da Anistia. “Isso é inaceitável.”

O primeiro vice-presidente do Clube Militar , general da reserva Sérgio Costa de Castro, criticou o colegiado por, segundo ele, ter alterado o período da investigação fixado em lei. “Primeiro, a comissão foi criada por uma lei que previa que ela devia investigar as violações de direitos humanos de 1946 a 1988. A própria Comissão da Verdade, por livre e espontânea vontade, limitou o tempo. Passou para 1964 a 1985”, afirmou.

Segundo ele, o colegiado também limitou a apuração aos crimes de agentes do Estado e distribuiu sem critério as responsabilidades pelas violações de direitos humanos. “Ignorando que subversivos, terroristas, guerrilheiros que cometeram diversas ações nesse mesmo período também cometeram violações”, afirmou.

Divisão. O relatório também serviu para acirrar os ânimos nas Forças Armadas. Houve muitas críticas internas reservadas ao atual comandante do Exército, general Enzo Peri, que, segundo militares, deveria ter assumido a postura de líder e se posicionado antes da publicação do relatório, condenando o que já se apresentava. A postura serviria como uma resposta para o público interno, que estaria se sentindo “aviltado” com as acusações contidas no relatório da comissão. A avaliação é que qualquer manifestação posterior não terá mesmo efeito.

Esta decepção, contudo, não significa que poderá ocorrer qualquer tipo de quebra de hierarquia militar.

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